Quando escola, empresa e jovem não se entendem

No mercado de trabalho, existe uma incômoda conta que não bate. De um lado, os empregadores, cada vez mais exigentes, sofrem com a escassez de profissionais aptos a desempenhar funções específicas. De outro, escolas formam trabalhadores para exercer atividades que não têm boa empregabilidade, o que deixa 75 milhões de jovens desempregados pelo mundo. Para tentar entender o que chamou de “crise da educação para o emprego”, a McKinsey fez um estudo global, o Educação para o Trabalho: Desenhando um Sistema que Funcione, em que entrevistou 4.500 jovens, 2.700 empregadores e 900 instituições de ensino de nove países. Nele, a consultoria traz seis grandes conclusões e aponta a capacitação por meio de Moocs e de jogos como um dos caminhos possíveis para que escolas, empresas e jovens passem a falar a mesma língua.

“Para enfrentar o problema do desemprego juvenil, dois pilares fundamentais são necessários:
 o desenvolvimento de competências e a criação de empregos. Este relatório tem como foco o desenvolvimento de competências, com especial atenção aos mecanismos que conectam educação e trabalho”, afirmam os autores no trabalho. Com essa missão, ao fazer as mesmas perguntas para empregadores, jovens e instituições de ensino, o estudo chegou à primeira grande conclusão: esses três grupos vivem em universos paralelos, uma vez que têm percepções muito diferentes dos mesmos assuntos. Um dos exemplos citados no estudo está o fato de 39% das instituições de ensino dizerem que a evasão dos cursos se devem à dificuldade das aulas, enquanto apenas 9% dos jovens atribuírem a desistência a esse fator.

 

crédito MNSTUDIO / Fotolia.comPesquisa global da McKinsey mostra a falta de sintonia entre empregadores, jovens e instituições de ensino

 

“Muitos atores trabalham em caminhos paralelos em assuntos comuns e não entendem a necessidade de ver isso como um sistema”, diz Diane Farell, diretora da McKinsey e uma das autoras do estudo, no vídeo de divulgação do trabalho. Assim, as próximas duas conclusões apresentadas dizem respeito às disfunções do sistema que une educação e trabalho, que acabam fazendo com que ele seja ineficiente para todos os envolvidos. Entre os obstáculos que impedem uma aproximação mais efetiva estão o custo dos cursos de capacitação e a falta de acesso, por parte dos alunos, a uma aprendizagem prática.

Apesar do cenário sombrio de desemprego juvenil pelo mundo, o estudo tem também boas notícias. “Nós vimos, sim, casos de sucesso. Observamos um ponto em comum em todas as histórias bem sucedidas [de integração da educação e do trabalho]: quando instituições de ensino decidem fazer parte do mundo dos empregadores e quando os empregadores decidem entrar no mundo das instituições de ensino”, afirma Mona Mourshed, diretora da consultoria e também uma das autoras do estudo. “Nos melhores programas, empregadores e instituições de ensino trabalham com seus alunos mais cedo e mais intensamente”, dizem os autores.

Entre as boas práticas encontradas pelos pesquisadores no mundo, as que se mostraram mais escaláveis eram aquelas que contavam com o auxílio da tecnologia. “Algumas vezes as instituições de ensino enfrentam dificuldades para aumentar a escala de suas operações devido a restrições internas de recursos. Por exemplo, a disponibilidade de educadores talentosos pode ser baixa ou variável (…). Ultrapassar essas barreiras requer uma solução que não só tenha baixo custo, mas também que assegure um nível consistente de qualidade. Tecnologia está começando a oferecer algumas respostas”, diz o estudo, que cita os Moocs (para capacitação) e os jogos “sérios” (para treinamento com simulações) como exemplos de com se pode levar formação a um custo baixo a funcionários.

Confira, a seguir, um infográfico com as principais conclusões do estudo.

Principais resultados da pesquisa McKinsey sobre jovens e emprego
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