Tua mensagem chegou em boa hora…

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Algo não estava bem. Quando isto acontece, você só pensa que precisa dividir o que está contigo. É o choro contido, a fúria que esbraveja, a indignação, o nó na garganta. Você só precisa desabafar, precisa de alguém que lhe junte meia dúzia de palavras, que lhe acalme, que lhe ouça como nem você tem feito, que lhe chacoalhe, que lhe receba.


Aquela notícia chegou. Tão esperada. E você precisa compartilhar e mostrar o quanto está satisfeito com isso. Então, você faz a sua primeira ligação e conta como está em feliz com esta notícia. Do outro lado, um outro coração vibra e de alguma forma, você se sente satisfeito por ter alguém ali do outro lado.


Ele estava me contando sobre a sensação de seu mundo ruir em minutos, de quanto se sentia perdido diante daquilo. Eu só pude escutá-lo. E eu não pude deixar de me preocupar com ele. O momento já não era só dele.


Em quem você pensa nestas horas? Pra quem vão seus pensamentos? Quem te faz pegar o telefone, escrever a mensagem? Quando as coisas se engrandecem ou quando as coisas desmoronam, é nesta pessoa que moram nossas verdadeiras conexões. São os momentos de ápice do nosso mundo que nos trazem sinais reveladores.

“Não é o tempo nem a oportunidade que determinam a intimidade, é só a disposição. Sete anos seriam insuficientes para algumas pessoas se conhecerem, e sete dias são mais que suficientes para outras.” Jane Austen, Razão e Sensibilidade

Há muito tempo, já havia lido outras pessoas relatarem sobre esta sensação em que temos a necessidade de falar, contar, dividir algo importante com alguém. Já me vi nesta situação. Não importa se esta pessoa será sempre a mesma. Se este sentimento é romântico, fraternal ou genuíno. O que importa é que é essencial. Uma conexão emocional, a cumplicidade que não pensa em recompensa, mas quer o bem um do outro tanto quanto o seu próprio bem. Onde a intensidade se sobrepõe a qualquer duração que se venha a ter.

É o ombro e a franqueza do amigo, o olhar incondicional de uma mãe, o abraço de um irmão, o afago daquele que se ama e se acorda ao lado. Não se pode estabelecer. É apenas essencial que tenhamos alguém que ocupe este lugar ali.

“That’s what people do who love you. They put their arms around you and love you when you’re not so lovable.” Deb Caletti

A verdadeira intimidade acontece entre duas pessoas que vencem o medo de se mostrarem emocionalmente como são.

Devemos escutar verdadeiramente o outro para o compreender e não para responder. Mas, na figura daquele que precisa ser ouvido, à medida que libertamos nossas próprias palavras, damos vazão a tudo que estava preso conosco, como se abríssemos a gaiola de nossos pensamentos. Nunca podemos deixar que nossa razão aprisione nossas palavras. A palavra opera milagres sobre si mesma.

“Words are events, they do things, change things. They transform both speaker and hearer; they feed energy back and forth and amplify it. They feed understanding or emotion back and forth and amplify it.” Ursula K. Le Guin

Para Ed Diener, professor de psicologia da Universidade de Illinois, os amigos nos dão um senso de identidade — ajudam a nos tornar algo maior do que nós mesmos e a definir quem somos. Não precisamos somente de relações humanas. Precisamos de amigos muito próximos, diz ele.

A razão da nossa existência passa pelos laços afetivos que asseguram a nossa alegria. É isso que nos preenche. Onde possamos parecer ridículos sem medo, onde tenhamos nossas lealdades não ditas e que transformam a simplicidade corriqueira das coisas que nos cercam.

“Sem humildade e coragem não há amor. Essas duas qualidades são exigidas, em escalas enormes e contínuas, quando se ingressa numa terra inexplorada e não-mapeada. É a esse o território que o amor conduz ao se instalar entre dois ou mais seres humanos.” Zygmunt Bauman, Amor Líquido

Em tempos líquidos, que sentimentos escorrem pelos dedos e podem ser desconstruídos a qualquer momento, em que a tolerância está por um fio, o respeito mútuo é escasso, uma maior sensibilidade nos deve ser requerida para um olhar sobre nossas relações. Precisamos nos cercar de pessoas que nos dêem um senso de identidade, que nos ajudem a definir quem somos, que nos façam encontrar o propósito na vida como um diferencial. Temos que contemplar a simplicidade das coisas em busca de detalhes significativos. As coisas banais, que passam despercebidas, podem gerar uma nova postura diante da vida.

Onde estamos colocando nossa atenção?

“Você não vai entender o que quero dizer agora, mas um dia entenderá: o segredo da amizade, eu acho, é encontrar pessoas que são melhores do que você, não mais espertas, não mais frias, mas amáveis e mais generosas, e mais indulgentes — e você apreciará o que elas podem lhe ensinar, e tentará ouví-las quando elas lhe disserem algo sobre si mesmas, não importa o quão ruim, ou bom que seja, e você confiará nelas, que é a coisa mais difícil de todas. Mas, a melhor também.” Hanya Yanagihara, A Little Life (book)

Damos uma importância enorme a coisa fugazes, ao erotismo, ao romantismo, às conquistas materiais, ao nosso ego que quer ser massageado, a nossa imagem no espelho. Algumas destas realmente merecem atenção, por que não? Mas, elas não são o fim em si mesmas.

A vida é um voo de longa distância e cada um faz a escolha do destino a que se quer chegar.

Não nos desleixemos das nossas relações. Não deixemos que se perca o aconchego que podemos trazer às nossas vidas e de outros. Saibamos entender o que querem dizer nossos impulsos, ao clamar por aquela pessoa que você mais gostaria que estivesse ali a te ouvir num momento crucial.

Tenho pensado que acreditamos que algumas relações estão cristalizadas e que assim que nos encontrarmos de novo, bastará a citação de um velho acontecimento, aquela piada interna, e tudo será reconhecimento. Mas, não devemos esquecer: não podemos descuidar delas.

Muitas relações de ocasião surgem nos nossos dias, no cotidiano, na correria dos nossos compromissos. E sim, essas relações também tem seu papel no meio dessa seriedade do dia-a-dia. Mas, não nos descuidemos daqueles que tem nossa ocasião mais sublime, que nem sempre podem estar conosco, mas que são aqueles que nossa alma clama no primeiro perrengue. Por isso, não nos descuidemos.

“We’ll go where it’s always spring ; The band is playing our song again; And all the world is green” — Tom Waits, song: All The World Is Green (pela melhor música de pirata que já ouvi nos meus dias)

P.S.: Obrigada por ler até aqui! Se você achou válido, clique no íconeRecomendo. Se não curtiu, quer contar a sua história ou tem um ponto de vista diferente, deixe sua mensagem e vamos conversar:  https://medium.com/@luci_inthesky_/tua-mensagem-chegou-em-boa-hora-e552234e11bb#.k4fi2ph1m

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