Partidas e chegadas

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“Quando observamos, da praia, um veleiro a afastar-se da costa navegando mar adentro, impelido pela brisa matinal, estamos diante de um espetáculo de beleza rara. O barco, impulsionado pela força dos ventos, vai ganhando o mar azul e nos parece cada vez menor. Não demora muito e só podemos contemplar um pequeno ponto branco na linha remota e indecisa, onde o mar e o céu se encontram.
Quem observa o veleiro sumir da linha do horizonte, certamente exclamará: “já se foi”. Terá sumido? Evaporado? Não, apenas o perdemos de vista. O barco continua do mesmo tamanho e com a mesma capacidade que tinha quando estava próximo de nós. Continua tão capaz quanto antes de levar ao porto de destino as cargas recebidas. O veleiro não evaporou, apenas não o podemos mais ver.
Mas ele continua o mesmo. E talvez, no exato instante em que alguém diz “já se foi”, haverá outras vozes, mais além, a afirmar: “lá vem o veleiro”. Assim é a morte.
Quando o veleiro parte, levando a preciosa carga de um amor que nos foi caro, e o vemos sumir na linha que separa o visível do invisível. O ser que amamos continua o mesmo, suas conquistas persistem dentro do mistério divino. Nada se perde, a não ser o corpo físico de que não mais necessita.
E é assim que, no mesmo instante em que dizemos: “já se foi”, no além, outro alguém dirá: “já está chegando”. Chegou ao destino levando consigo as aquisições feitas durante a vida. Na vida, cada um leva sua carga de vícios e virtudes, de afetos e desafetos, até que se resolva por desfazer-se do que julgar necessário. A vida é feita de partidas e chegadas. De idas e vindas. Assim, o que para uns parece ser a partida, para outros é a chegada.”

– Henry Sobel

Fonte: http://projaction.blogspot.com.br/2016/02/um-texto-que-ira-mudar-sua-visao-sobre.html

A nossa falsa verdade

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Uma vez que em boa verdade os homens apenas se interessam pela sua opinião própria, qualquer indivíduo que queira apresentar uma dada opinião trata de olhar para um lado e para o outro à procura de meios que lhe permitam dar força à posição, sua ou alheia, que defende.
As pessoas servem-se da verdade quando ela lhes é útil, mas recorrem com retórica paixão à falsidade logo que se lhes depara o momento em que a podem usar para produzir a ilusão de um meio-argumento e dar assim, com uma manobra de diversão, a aparência de unificar aquilo que se apresenta como fragmentário.
A princípio, quando me apercebia de tais situações, ficava incomodado, depois passei a ficar perturbado, mas tudo isso suscita-me hoje um prazer malicioso. E prometi a mim mesmo que nunca mais volto a pôr a descoberto esse tipo de procedimentos.

Johann Wolfgang von Goethe – “Máximas e Reflexões”

Fonte: http://www.hierophant.com.br/arcano/posts/view/Lectrice/2052

Saia de cima do muro!

 

Em cima do muro

Muitas coisas nos causam náusea e uma delas são aquelas pessoas que vivem em cima do muro, pendem para o time que está ganhando. Poucas conseguem abraçar uma causa e estar junto desta, nas vitórias ou nas derrotas. Assim são na política, assim são na sociedade e, muitas vezes, são assim nos relacionamentos. A vida é muito rápida para ficarmos em cima do muro, esperando para decidir, esperando a hora certa que nunca chega, esperando o momento certo que nunca acontece, esperando conhecer a pessoa certa que não existe. É necessário acreditar em destino às vezes, porém existem ocasiões em que realmente é necessário sair de cima do muro, tomar uma atitude e escolher. Um exemplo simples são os relacionamentos, quando assumir algum, assuma de verdade. A melhor mulher que existe é a sua, o melhor homem que existe é o seu, não existem pessoas perfeitas e ideias, todas têm defeitos e qualidades e aprendemos a viver o amor quando conseguimos compreender isto. Não vamos viver nossa vida como covardes, sempre esperando e não agindo. É necessário ter coragem de defender aquilo em que acreditamos, nas horas boas e ruins. O momento certo é agora, esta vida, este dia. Viver carregando peso que não é seu, viver com nós na garganta uma década, apenas atrasa sua vida e lhe prende. A vida é curta para ficarmos sentados em cima do muro, esperando a poeira baixar, o momento ideal chegar, pode ser que este momento dure uma vida. Gosto de pessoas autênticas que criam oportunidades e fazem o momento, saem do anonimato e mostram sua cara. É necessário tomar uma decisão. Nesta vida é necessário aprender a posicionar-se, ter coragem de assumir realmente aquilo em que acreditamos. Decidindo, escolhendo, criamos coragem para enfrentar os obstáculos que temos na vida e ai descobrimos que eles não têm a metade da força que pensávamos que tinham. É necessário saber dosar as escolhas com a razão, mas ficar carregando dúvidas pela eternidade deixa a vida mais pesada. Na incerteza faça o que sente que está certo, dentro de seu coração, aquilo que pulsa e lhe faz acreditar. Devemos apreender escutar mais nosso coração, sempre seremos criticados por esta ou por aquela escolha. Fazendo ou não o importante é estar de bem conosco mesmos e com a consciência de que fizemos ou escolhemos aquilo que acreditávamos ser o correto. O importante é fazer alguma coisa, decidir não ficar sempre em cima do muro. Pense mais alto como Sydney Smith que diz “O maior de todos os erros é não fazer nada só porque se pode fazer pouco. Faça o que lhe for possível”.

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