Procura-se alma séria para relacionamento divertido

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“Em um relacionamento sério.” Nada contra. Fico alegre por quem assim esteja. Faço votos de felicidade ao casal e, confesso, tenho até uma certa inveja de quem se encontra e se ajeita a ponto de querer contar ao mundo que vive um caso amoroso e que ele é sério.

Não é despeito, não. Juro. Eu admiro e respeito a seriedade do amor de cada um. Mas acho que quem se ajeita “em um relacionamento sério” anda menos para o calor dos romances que para a frieza dos tratos comerciais, a obrigação dos contratos de compra e venda, a burocracia das operações bancárias e a apatia dos casais ranzinzas, circunspectos, fechados para as brincadeiras de um amor sadio em sua graça e sua leveza.

É que eu prefiro as terminologias mais afetuosas, sabe? Estar “em um caso sério de amor insano”, “em estado de graça”, “em caminhada pelas nuvens ao lado de fulana ou sicrano”. Quem sabe “em construção do amor na companhia de…”. A mim faz bem imaginar o amor como o pesado ofício da leveza, o trabalho braçal dos amantes, uma obra inacabada que precisa ser reconstruída e reformada para sempre.

Você há de me explicar o quanto estar “em um relacionamento sério” é tão só e simplesmente um jeito de valorizar aquele ou aquela ao lado de quem se está caminhando. E que, ora bolas, são só palavras! Quem liga para isso?

Eu ligo. Tenho a impressão de que assim classificado o amor vira outra coisa. Carimbado e despachado ao dia a dia como “um relacionamento sério”, ganha a dimensão limitada e triste de um termo de compromisso. E será mesmo que o amor pode se cobrar e registrar de acordo com as nomenclaturas e tabelas cartoriais?

Então vem alguém perfeito e me acusa de não ser sério, de arranjar desculpas para fugir das convenções da vida adulta, me julga, incrimina, desclassifica. E eu só lamento que tudo tenha de ser assim, tão superficialmente classificável.

Será que o amor não é outra coisa, não? Não será um negócio sem forma e categoria que simplesmente é e, assim sendo, acontece e se fortalece em seu tempo a partir de nossas intenções e ações e essas coisas de quem quer o bem do outro tanto quanto o seu próprio? Sem amarras e cercas e advertências, sem pregar uma placa no portão avisando: “Cuidado. Cachorro Bravo!” ou “Afaste-se! Estamos em um relacionamento sério!”

Vai aqui o meu respeito a quem pensa diferente de mim. Mas, de minha parte, melhor seria estar “em um relacionamento divertido”. Seriamente brincalhão. Daqueles construídos de encontros profundos, em que as almas se encantem e se transbordem sinceramente. Que tragam suas coisas de antes e as dividam com franqueza. Suas dores e perdas, seus escuros pavorosos, seus instantes de grandeza. Que tudo isso se apresente em solidária confraternização de amor.

E que de cada encontro resulte uma história divertida, diversa, que gire na direção oposta da maioria dos casais sisudos, amarrados um ao outro em sofrida provação. Que o caminho seja leve e cada um ali esteja em franca entrega. Celebrando a vida porque isso é o mínimo que se espera de quem está vivo: viver como quem recebe uma graça, agradece de joelhos e se levanta para dividi-la com o mundo.

Eu quero tudo isso, sim. Mas também quero rir, sabe? Rir dos meus tropeços e minhas topadas, da minha desgraça, das minhas alegrias breves e minhas mesquinharias, da minha cara feia no espelho. Quero rir e gritar sem culpa “EU TE AMO, VOCÊ AÍ!” Quem sabe isso me acorde e me melhore.

Meu amor há de ser tão simples e bonito quanto o pão feito em casa. Divertido como os animais domésticos que brincam de morder um ao outro. Despretensioso como quem sonha com as viagens espaciais e com um mundo em paz, em que os estúpidos desistam de seu galope rumo à burrice completa, em que nas escolas as crianças aprendam a ver beleza nas operações básicas de somar, subtrair, multiplicar, dividir e respeitar a si mesmas e ao outro, em que os eloquentes aceitem que “liberdade de expressão” também vale para aqueles que expressam opiniões contrárias às suas.

E que tudo isso seja muito divertido. Sempre.

Será preciso coragem. E coragem é atributo das almas sérias, envolvidas por seus propósitos, tomadas de bravura para tocar a vida em frente a despeito de seus medos e imperfeições, plenas de ânimo para aceitar seus defeitos e corrigi-los como se pode. Afinal, amar e respeitar compreendem um estado de coisas que ficam para muito além de estar “em um relacionamento sério”.

Faço fé que por aí há de caminhar uma alma grave à espera da minha risada. Ansiando pela leveza das nossas conversas e a graça do nosso jeito de lidar com as coisas importantes. Juntos, vamos construir uma casa antiga no meio de uma avenida de prédios comerciais modernos e alimentar hábitos simples. Comprar pão de manhã, plantar hortelã e manjericão em vasinhos de barro, cultivar delicadeza em feitios gentis. Seremos nós e os nossos filhos, nossos sonhos e o nosso desvario de ternura. Eu faço fé.

Em nossa estranheza sagrada de amantes honestos, daremos de brincar com a comida, sonhar com o impossível, acordar enquanto o mundo dorme e sair pela cidade à procura de um chafariz onde entraremos de roupa e tudo.

E quando uma alma desavisada e triste nos questionar indignada, o dedo em riste, “vocês estão loucos, vadios imbecis? Tomando banho no chafariz?”, responderemos em coro sem prender o riso:

“Não, senhora. Nós estamos em um relacionamento divertido!”
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5 mentiras que nos mantém presos em nossas zonas de conforto

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Existe uma lenda muito antiga que diz que um rei foi presenteado com duas aves muito raras e belas, falcões. De imediato, contratou alguém que fosse capaz de treiná-los, passado alguns meses, verificou que uma das aves era bem educada, mas não sabiam o que se passava com a outra. Desde que tinha chegado ao palácio, permanecia intacta no mesmo galho, o rei muito preocupado chamou diversos especialistas, nada aconteceu. Então, criaram uma recompensa para quem conseguisse fazer o falcão voar, na manhã seguinte, o rei viu o pássaro voando em seus jardins. Se enchendo de felicidade, o rei ordenou que trouxesse o dono do milagre, apareceu diante de si um simples camponês. Se enchendo de orgulho, o rei começou a questionar qual havia sido o feitiço que fizera àquela ave tão preguiçosa para voar. Com uma enorme simplicidade, mas carregada de sabedoria, o camponês respondeu que apenas havia cortado o galho, assim o pássaro foi deixado sem nenhuma alternativa, senão levantar voo. O que podemos tirar de proveito da história, às vezes, é essencial que permaneçamos em nossas zonas de conforto para que possamos recarregar as nossas energias, a fim, de iniciar uma nova etapa. Entretanto, permanecer estacionados faz que não se perceba o quão longe poderíamos chegar. Desenvolver a capacidade de sair de nossa zona de conforto, de forma consciente a fim de que se possa atravessar novos horizontes, realizar sonhos é que nos tornará diferentes perante ao resto do mundo. É o que nos permitirá poder saborear novas experiências que, mais cedo ou mais tarde, darão contorno, cor, textura e sabor ao nosso cotidiano. Para entender a zona de conforto, podemos imaginar dois círculos um pequeno dentro do maior. O menor representa tudo àquilo do qual estamos acostumados, nossas manias, nossas rotinas. O que parece, muitas vezes que a zona de conforto é o grande círculo, tudo parece amplificado, mas isso é apenas uma projeção pela permanência dentro deste círculo, o que nos amarra ali pelo simples fato de termos medo de descobrir o que acontece se conseguirmos descolar de nossas amarras mais profundas. Com isso, a zona de conforto limita, não permite descobrir algo novo. Há um círculo maior, este é recheado pelo desconhecido e também por novos sonhos, novos planos, novas ideias que ficam muitas , “ engavetadas” pelo medo. O novo e maior circulo é também a área de novas aprendizagens, onde ocorrerá a ampliação da consciência, das fronteiras e dos sentidos. Para muitos de nós saltar do nosso pequeno circulo em direção ao grande círculo é extremamente ameaçador. Não sabemos o que iremos encontrar, com isso, acionamos o nosso “ botão de auto sabotagem” que faz que fiquemos estagnados assim como o falcão da fábula, só sairemos dali se formos obrigados. Com isso há cinco mentiras que contamos a nós mesmos que faz que fiquemos presos em nossas zonas de conforto.

1. “Eu não tenho motivação para fazer”

É confortável permanecer na nossa “ caixinha”, abraçando nossos monstros, cultivando nossas minhocas mentais, criando mais fantasmas e carregando malas abarrotadas de memórias e anseios. Com isso, damos combustível ao medo, sem perceber que não iremos crescer. Estar em crescimento não se percebe apenas pela passagem do tempo, mas pela quantidade de desafios que vamos superando todos os dias. Toda vez que somos convidados a fazer algo novo, automaticamente uma voz diz que vamos fracassar e que é melhor não tentar, uma parte vem do medo à mudança, um desejo de ficar dentro dos limites do que nos é familiar. Mas se parar para pensar que é uma gigante estupidez, não tentar, ao menos realizar algo novo, pelo menos tente, e não se gostar do resultado, tente de novo, você ganha experiência e sempre aprenderá alguma coisa.

2. “Não é o momento certo”

Não existem momentos ideais, pessoas perfeitas e expectativas que não serão frustradas. Se você ficar esperando o momento ideal será como tentar remar em um barco a motor ou tentar aprisionar todo o vento e uma bola de sabão. O ativador do medo é o pensamento que nos conduz a perseguir o momento certo e nos paralisa de agir. Temos medo de fracassar e isso nos acompanha ao longo de toda nossa existência, mas temos que arriscar um pouco para conseguir algo. Sempre existirão os prós e os contras, mas para voar é preciso começar com pequenos passos. Traçar metas reais para evitar grandes frustrações, mas lembre-se sempre teremos expectativas frustradas, desejos não realizados, pessoas que nos desapontarão e aceitar isso é ter consciência que existe a imperfeição dentro e fora de si, com isso fica mais fácil aceitar os percalços do caminho e conseguir arriscar com menos amarras. Quando nos dermos conta, estaremos caminhando rumo aos nossos sonhos.

3. “Vou começar quando”

Esse pensamentos de quando vamos começar é o que nos mantém enlatados em nossas zonas de conforto. É como esperar a segunda-feira para começar uma dieta, esperar parar de chover para caminhar, não estamos desistindo de nossos projetos, mas estamos os deslocando para que a situação ocorra quase por um milagre ou mágica. A desculpa de quando começar alimenta a nossa procrastinação, pode ser que as coisas realmente ocorram por pura sorte, assim iremos adiar cada vez mais as nossas ações. Procrastinar é uma forma de manter a esperança acesa, mas não estamos de fato pondo a mão na massa e trabalhando duro. A hora de começar é agora mesmo, comece a dieta no sábado, comece a cortar aos poucos o açúcar em excesso assim como o excesso de mágoa e ressentimento nas relações, se estiver chovendo vá pular em poças d’ água, se estiver em um barco sem motor reme o máximo que puder, mas não deixe para depois o que pode começar a ser feito hoje. O que a gente espera são soluções imediatas já que a todo momento somos bombardeados pelo imediatismo, mas tempos que ter consciência que é muito melhor começar aos poucos do que ficar a vida inteira esperando o melhor momento.

4. “ Não é para mim”

Achar que algo não é para nós é como alimentar doses de que não somos capazes ou bons o suficiente. Uma desculpa perfeita para diminuir nossa autoestima, também muito usada para quem têm medo do mundo e se fecha para novas experiências. O velho ditado que diz que devemos provar o gosto antes de dizer que não gostamos, só iremos saber se somos hábeis para algo se realmente tentar. Pare de se fechar para o novo, assim como para as pessoas, o máximo que pode acontecer é você não gostar ou ter que desenvolver novas habilidades, ou seja, tente ao invés de ficar reclamando e assumindo que algo não é para você ou que determinadas pessoas ou grupos não combinam. Você pode se surpreender com novos estilos musicais, novos destinos de viagens, novos visuais de roupa, pessoas que você julgava não combinarem com o seu estilo A vida é uma mistura de aleatórios, é que preciso parar de inventar desculpas e começar a conhecer o que muitas vezes esteve ao nosso lado uma vida inteira, mas estávamos fechados e submissos em nosso preconceitos.

5. “ Eu não sei como fazer”

O novo pode assustar, com isso, criamos empecilhos que mais uma vez fazem que fiquemos estacionados em nossas zonas de conforto. Até podemos pensar que não temos habilidades, mas podemos desenvolvê-las e até mesmo começara gostar; pode ser que leve um tempo, pode ser que tenhamos que treinar, pode ser que precisemos de aula. Se dispa da vergonha de pedir ajuda, lembre-se que nenhuma habilidade vem do além, em nossa essência temos paixão e esforço suficiente para realizarmos o que almejarmos. Então tente algo novo: dance, cante, aprenda uma nova língua, comece um processo de psicoterapia, enfim viva. O máximo que vai acontecer é levar um tempo para desenvolver algo ou se não for da maneira esperada, tente outra coisa ou se quiser de verdade, continue tentando. Mas tenha sempre em mente que ficar estacionado na zona de conforto será como passar a existência inteira observando a paisagem pela janela de um trem, tudo parecerá um tanto embaçado e confuso já que estaremos apenas observando ao invés de viver.

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