20 IDEIAS DE NIETZSCHE

20 ideias do alemão Friedrich Nietzsche, um dos filósofos mais influentes da modernidade.

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Friedrich Wilhelm Nietzsche nasceu em 1844 na cidade de Röcken, Alemanha. Ele cresceu em um ambiente ortodoxo e protestante dominado por mulheres; seu pai era pastor evangélico e faleceu quando ele tinha cinco anos de idade.

Nietzsche estudou em um orfanato na maior parte de sua formação escolar. Ele se interessava principalmente por Antiguidade grega e romana, temas que estudava com vigor e afinco. Estudou filosofia clássica nas universidades de Bonn e Leipzig. Nesta última, ele estabeleceu contato primordial com as ideias de Arthur Schopenhauer e com a música clássica de Wagner, compositor que admirava e que mais tarde se tornaria seu amigo pessoal.

Em 1869, com 25 anos de idade, Nietzsche atuava como professor de filologia clássica na Universidade da Basileia. Contudo, seu ofício foi interrompido um ano depois, quando eclodiu a Guerra Franco-Prussiana. O alemão participou ativamente do conflito como enfermeiro, até ser obrigado a abandonar a função por causa de uma gravíssima disenteria, da qual nunca se recuperou totalmente.

No ano de 1881, Nietzche conheceu a mulher de sua vida: Lou Andreas Salomé, por quem se apaixonou perdidamente, mas, por sátira do destino, ela acabou se casando com um amigo seu. Essa rejeição traidora foi o estopim para consolidar em Nietzsche uma forte misoginia. Após ver-se solitário e inconsolável, o filósofo estabeleceu-se na Riviera francesa e no norte da Itália, lugares que ele considerava frutíferos e producentes para pensar e escrever. Imensamente frustrado por suas obras não serem consideradas pelo público, ele passou a sofrer de acessos de loucura em 1889, quando morava em Turim e já estava praticamente cego, literal e naturalmente.

Depois de ficar internado em algumas clínicas de reabilitação na Basileia, Nietzsche passaria o fim de sua vida na casa da mãe e da irmã, que cuidou dele até morrer. O alemão morreu em 1900. Apesar do trágico e melancólico fim, Nietzsche deixou um legado filosófico riquíssimo que até hoje não perdeu o poder inspirador e efetivo.

A seguir, encontram-se 20 das maiores ideias de Nietzsche:

1. O destino dos homens é feito de momentos felizes e não de épocas felizes

A felicidade costuma ser frágil e volátil, por isso só é possível senti-la em certos momentos. Se pudéssemos experimentar a felicidade ininterruptamente, ela perderia todo seu valor, uma vez que só percebemos ser felizes por comparação. Após um dia inteiro de trabalho, um pouco de descanso é tudo que queremos. Após um dia inteiro de chuva, o raiar do sol nos é maravilhoso. Da mesma forma, a alegria aparenta ser genuína e intensa quando atravessamos um período de tristeza.

A obrigação de ser feliz é grande motivadora de estresse e frustração. Contra essa perspectiva ingênua, Nietzsche nos lembra:

“A felicidade vem em lampejos. Tentar fazer com que ela dure para sempre é aniquilar esses lampejos que nos ajudam a seguir em frente no longo e tortuoso caminho da vida.”

2. A verdade é uma vontade de engano

Nietzsche pensava que a verdade em que se acredita nada mais é do que uma crença na veracidade de um engano. Sendo assim, a verdade seria uma ilusão de criação.

O autor refere-se à verdade como sendo uma vontade. Para ele, a verdade não é uma coisa que está ali para se encontrar ou descobrir, mas algo que está por criar e que dá nome a um processo. Nietzsche entende que a vontade de verdade decorre de uma vontade de engano: a necessidade de se atribuir um determinado valor à categoria de verdade para fazê-lo mais forte e poderoso a fim de que se possa acreditar nele. Porém, como este valor foi criado historicamente, seria um engano tê-lo por verdade.

“Verdade: em minha maneira de pensar, a verdade não significa necessariamente o contrário de um erro, mas somente, e em todos os casos mais decisivos, a posição ocupada por diferentes erros uns em relação aos outros.”

Se aceita a verdade como moral, então ela representa um erro necessário. É impossível viver sem ter representações morais da verdade. Precisamos acreditar na verdade para validarmos nossa existência, por exemplo, sem a qual não haveria engano. Para Nietzsche, a vontade de verdade e a vontade de engano são a mesma, só que observadas de duas perspectivas diferentes. A vontade de verdade, a busca da verdade e a crença nesta verdade decorrem da necessidade de se acreditar nas construções históricas e culturais, então, a verdade decorre da vontade de engano.

3. A mentira mais comum é a que um homem usa para enganar a si mesmo

Mentimos para sermos mais felizes, embora possamos estar apenas nos iludindo da intenção. Niezsche costumava dizer que “enganar os outros é um defeito insignificante, pois o que nos transforma em monstros é o auto-engano.”

De fato, é muito mais fácil não admitir que se está errado do que aceitar o próprio erro. Ás vezes, basta assumir humildemente um erro; apenas dessa forma nos contentaremos com as consequências de uma ilusão que possa ser vivida.

4. A potência intelectual de um homem se mede pelo humor que ele é capaz de manifestar

Por várias vezes, Nietzsche falou sobre a importância do humor, que ele considerava uma tábua de salvação para os desgostos que a vida oferece. Como ele dizia:

“O homem sofre tão terrivelmente no mundo que se viu obrigado a inventar o riso.”

Para o filósofo, as pessoas deveriam tachar de falsa toda verdade que não seja acompanhada por um sorriso. Essa é uma ideia acalentadora, embora possa ser mentirosa em sua própria atribuição. Mas os benefícios são evidentes.

5. O homem amadurece quando reencontra a seriedade que demonstrava em suas brincadeiras de criança

“Em qualquer homem autêntico existe uma criança querendo brincar.”

Para Nietzsche, considerar fábulas e jogos coisas infantis é sinal de grande pobreza de espírito, pois somente as pessoas capazes de manter a curiosidade e o senso lúdico da infância terão sempre novos êxitos ao seu alcance. Crianças encaram a vida como uma brincadeira, e pensam que contos de fada são verdadeiros. Não significa que devemos agir de forma ingênua, mas é essencial mantermos um pé no mundo da fantasia, o que aflora nossa imaginação e nos torna mais criativos e producentes.

Às vezes, tudo de que precisamos é deixar de lado o mundo dos adultos e assumir a persona que já fomos antes.

6. Não se aprende a voar voando

De acordo com o filósofo, quem deseja aprender a voar deve primeiro aprender a caminhar. Fazer qualquer coisa sem estar preparado gera decepção iminente. Como diz Nietzsche:

“Quem espera levantar voo sem antes passar pelo aprendizado básico está condenado a uma queda da qual não se reerguerá.”

Aquele que conhece suas capacidades e, mais importante, suas limitações, sabe exatamente quais lutas pode lutar e quais não.

7. Quem luta contra monstros deve ter cuidado para não se transformar em um deles

“Os cínicos costumam se esconder por trás da maldade do mundo para dar asas à própria perversão. No entanto, os atos alheios nunca justificam os nossos.”

Com esta reflexão, Nietzsche refere-se às dificuldades e injustiças da vida que podem fazer com que uma pessoa aparentemente benevolente se torne malévola por necessidade. Entretanto, ele lembra que, no final, uma decisão, mesmo terrível, é opção pessoal, e a responsabilidade, intransferível.

8. É muito difícil os homens entenderem sua ignorância no que diz respeito a eles mesmos

“Somente quando o homem tiver adquirido o conhecimento de todas as coisas poderá conhecer plenamente a si mesmo. Por que as coisas nada mais são que as fronteiras do homem.”

O filósofo sugere que não há nada mais trabalhoso que o autoconhecimento. Então, para chegar-se a um elevado nível de sabedoria, o homem precisa se dispor a superar seus próprios limites, é claro, com prudência e ambição suficientes.

9. O sucesso sempre foi um grande mentiroso

O êxito costuma ser um veneno, pois um privilegiado pode agir como prepotente, e assim ficar estagnado. Nietzsche ensina que, quando a sorte deixa de sorrir para o bem-sucedido, de uma hora para outro seu mundo vira de cabeça para baixo. O fracasso, por sua vez, representa sempre uma oportunidade para melhorar; favorece a humildade, nos ajuda a manter o pé no chão, estimula nossa imaginação e nos faz explorar novas perspectivas.

Aqueles que se dispõem a alcançar algo precisam estar devidamente preparados para derrocar, ao passo que novas oportunidades possam ser almejadas.

10. A melhor arma contra o inimigo é outro inimigo

Segundo Nietzsche:

“Uma guerra não é travada apenas nos campos de batalha tradicionais, em que tropas tentam aniquilar umas às outras. A luta acontece em qualquer área em que os seres humanos disputem influência.”

Existem disputas de poder em toda e qualquer circunstância, seja em casa, no trabalho ou onde for, quando duas ou mais pessoas usam suas armas para conseguir o papel central. Assim como os animais, seres humanos são territoriais e constantemente buscam aumentar seus domínios, inclusive o emocional. Mas, como lembra Nietzsche, nem sempre encontramos um inimigo para opor àquele em perspectiva que está nos enfrentando, e às vezes, precisamos de fato recorrer a outras estratégias que impelem nossas ações.

11. A essência de toda arte é a gratidão

De acordo com o filósofo alemão, a gratidão é uma condição indispensável para apreciarmos a beleza do mundo. Algumas pessoas aparentemente têm tudo, e sentem como se não tivessem nada, ao passo que outras realmente têm pouco, mas agradecem e maravilham-se com o pouco que têm.

Nietzsche ressalta que, se praticarmos a arte da gratidão, alimentaremos nosso ser emocional de boas sensações, principalmente nas horas de dificuldade. Mesmo em ocasiões de tensão e estresse, basta deixarmos agraciar pelas belezas do mundo para encontrarmos forças que nos permitem superar as árduas provações que advirem.

12. As pessoas nos castigam por nossas virtudes. Só perdoam sinceramente nossos erros

Para Nietzsche, o contrário do amor não é o ódio, mas a indiferença. Segundo ele, a fúria de quem odeia é nutrida por uma admiração oculta, e assim também acontece com a inveja. Schopenhauer, filósofo que inspirou Niezsche, afirma:

“A inveja dos homens mostra quão infelizes eles se sentem, e a atenção constante que dão aos que fazem os demais mostra como sua vida é tediosa.”

Se apontamos uma boa novidade para alguém e essa pessoa logo aponta nossas falhas, decerto que ela não deseja que sigamos adiante. Por esse motivo, convém ocultar nossos êxitos em determinadas oportunidades, pois assim evitamos uma carga emocional negativa e indesejada de quem poderia facilmente nos atingir.

13. Se a consciência nos torna humanos, a imperfeição é um traço distintivo de nossa espécie

De acordo com Nietzsche:

“O homem que imagina ser completamente bom é um idiota.”

Passamos mais tempo consertando erros que construindo coisas de valor. Assumir essa realidade nos torna mais humildes e, o que é mais importante, nos faz tomar consciência do quanto ainda precisamos melhorar. Errar faz parte do processo de aprendizagem. Como denota Nietzsche, as pessoas perfeccionistas acabam por sofrer as consequências de seus atos imperfeitos e, se algo dá errado, costumam transferir a culpa para os outros, mesmo que falha alguma seja cometida.

O filósofo nos lembra que é inútil desejarmos ser bons o tempo todo e fazer tudo certo: o que importa é estarmos dispostos a fazer um pouco melhor hoje do que fizemos ontem.

14. Só quem constrói o futuro tem o direito de julgar o passado

“Quem constrói o futuro está muito ocupado para julgar o passado”.

Por vezes nos pegamos desprevenidos em memórias e lembranças passadas a fim de guiarmo-nos para o futuro. No entanto, tais julgamentos do passado escondem o orgulho premente de quem se considera dono da verdade, e também revela grande insegurança. Como diz Nietzsche:

“É mais produtivo construir o que vai acontecer do que analisar o que se passou.”

Quem age está menos preocupado do que quem não ocupa a mente.

15. É importante nos orgulharmos de nossos inimigos

Na visão de Nietzsche, não devemos ter mais inimigos que as pessoas dignas de ódio, mas tampouco devemos ter inimigos dignos de desprezo. O filósofo afirma ser necessário reservar-nos para os adversários, pois frequentemente temos que lidar com muitas ofensas, e passar por cima de muitos para não sermos massacrados.

“Escolhe inimigos que te mereçam.”

16. Nós nos sentimos bem em meio à natureza porque ela não nos julga

O ser humano é um animal que julga, e muitas vezes somos desnaturalizados pelos outros, o que nos faz sentir estranhos em um mundo de supostos humanos. Nietzsche ressalta que, ao sentirmos o cheiro de terra fresca, o ar limpo e o silêncio, apenas quebrado pelas criaturas ao redor, reencontramos nossa essência por tanto tempo abandonada.

“Na cidade, precisamos representar um papel porque estamos muito preocupados com o que pensam de nós. Mas, ao voltar à natureza, podemos nos dar ao luxo de sermos nós mesmos. Não precisamos nos vestir bem, falar ou atuar de maneira especial. Basta nos deixarmos levar pelo mundo natural em direção ao nosso interior, onde um manancial de tranquilidade nos espera.”

17. Não há apenas uma morte ao longo da existência

Nietzsche sugere que precisamos pagar pela imortalidade e morrer várias vezes enquanto estamos vivos. Segundo ele, não há apenas uma morte ao longo da existência. No transcorrer da vida, vamos vencendo etapas e superando desafios, simbolicamente, para podermos renascer em estágios posteriores. A essas transições de uma vida para outra, Nietzsche denominava “ritos de passagem”, tomadas de consciência nas quais necessariamente deixamos o passado para trás e comprometemos com novas perspectivas à frente.

18. Quem vê mal sempre vê pouco. Quem escuta mal sempre escuta demais

Muitas vezes, só ouvimos o que queremos ouvir, já que o murmúrio das nossas ideias preconcebidas se sobrepõe a realidade, sempre mais simples que a opinião que formamos dela. Nietzsche propõe que devemos buscar o pensamento com clareza, do contrário, estaremos apenas seguindo ecos e ruídos de nossos preconceitos.

19. Quem tem uma razão de viver é capaz de suportar qualquer coisa

Assim como a maioria dos filósofos, Nietzsche sempre destacou a importância de se buscar uma razão de viver. Quando nossa vida se torna plena de sentido, falava ele, nossos esforços já não são cansativos, e sim passos seguros em direção às metas que estabelecemos.

20. O que não nos mata nos fortalece

Como dizia Nietzsche:

“Se a correnteza não nos mata, acabamos ganhando uma experiência essencial que nos ajudará a salvar a nós mesmos e às demais pessoas em futuras provações.”

Referência bibliográfica:

PERCY, Allan. Nietzsche Para Estressados.

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A nossa falsa verdade

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Uma vez que em boa verdade os homens apenas se interessam pela sua opinião própria, qualquer indivíduo que queira apresentar uma dada opinião trata de olhar para um lado e para o outro à procura de meios que lhe permitam dar força à posição, sua ou alheia, que defende.
As pessoas servem-se da verdade quando ela lhes é útil, mas recorrem com retórica paixão à falsidade logo que se lhes depara o momento em que a podem usar para produzir a ilusão de um meio-argumento e dar assim, com uma manobra de diversão, a aparência de unificar aquilo que se apresenta como fragmentário.
A princípio, quando me apercebia de tais situações, ficava incomodado, depois passei a ficar perturbado, mas tudo isso suscita-me hoje um prazer malicioso. E prometi a mim mesmo que nunca mais volto a pôr a descoberto esse tipo de procedimentos.

Johann Wolfgang von Goethe – “Máximas e Reflexões”

Fonte: http://www.hierophant.com.br/arcano/posts/view/Lectrice/2052

Livro no Brasil não é caro coisa nenhuma

Uma longa resposta para a pergunta que não quer calar

por Carol Chiovatto

A ideia de que livro é caro no Brasil é repetida à exaustão, até por pessoas que não costumam comprar livros. Desde sempre ouço gente dizer: livro é caro aqui.

Da hora.

Então, por que defendo que livro no Brasil não é caro?

Já adianto que a resposta para isso é imensa. E vou enumerar cada um dos motivos pelos quais tenho plena convicção de que, não só para mim como para qualquer pessoa razoável, o preço do livro no Brasil é bastante justo.

Em primeiro lugar, muitas pessoas acham o livro caro por causa do valor que atribuem a ele — e aqui falo de valor agregado, valor psicológico, e não monetário. Explico. O preço médio de uma promoção BigMac no McDonald’s é vinte reais. É raro ouvir uma pessoa questionar o valor do lanche. Até pode acontecer de dizerem que é caro em relação a outras comidas; raramente, em relação ao seu preço no exterior.

De todo modo, por que falei disso? Porque o valor do BigMac é o valor doBigMac. Ou você compra ou você não compra e vai comer em outro lugar, gastando mais ou gastando menos. (Mas o McDonald’s continua lotado, e sempre é o mais cheio de todos os restaurantes de um shopping, pelo menos em São Paulo.)

Com vinte reais compra-se um livro em qualquer livraria, ou até dois, se houver uma daquelas megapromoções no Submarino. Ou algumas ediçõespocket.

Ao comentar o assunto no Facebook, recebi várias respostas dando exemplos como esse. O escritor Eduardo Spohr veio com um ótimo: é muito difícil gastar menos de cinquenta reais numa balada (em São Paulo ou no Rio, ao menos, para onde, aliás, as lojas virtuais costumam oferecer frete grátis de livros). Já o escritor José Roberto Vieira acrescentou que, somando tudo, incluindo estacionamento, não é incomum o preço de tudo chegar a cem reais.

Bem, há livros nessa faixa de preço, mas, considerando a maioria dos títulos no preço de lançamento, seria possível comprar pelo menos três com esse dinheiro.

A também escritora Ana Lúcia Merege mencionou o preço da entrada de cinema. Spohr nos lembrou também do valor de um jantar em restaurante. Se pararmos para refletir sobre as pequenas coisas supérfluas (que consumimos) do dia a dia, quase tudo alcança ou até ultrapassa o preço médio de um livro.

Só observando você dizendo que livro é caro enquanto come todo sábado no McDonald’s.

Vou dar um exemplo de quando estava trabalhando no estande da Vermelho Marinho, numa feira de livros. Falo de uma feira destinada principalmente a alunos e professores da rede municipal da cidade em questão, público esse que recebe vales da prefeitura para comprar livros. Como os vales de cada criança totalizam vinte e cinco reais, todas as editoras participantes descem o preço dos livros o máximo possível, para que todos possam comprar livros bons e baratos (vale notar que nessa feira participam editoras de qualidade e fama inquestionável como os selos do grupo Autêntica, Cosac Naify, Biruta e Aleph, para citar apenas algumas).

Pérolas que ouvi:

  • Nossa, quanto livro caro! [de dez a quinze reais]. Cadê os de cinco? — diz a professora, ultrajada.
  • Vocês não trocam isso aqui [os vales] por dinheiro de verdade não, né? — professora pergunta, e, ante a resposta negativa: — Aff, nem dá pra ir no shopping. Vou ter que comprar livro. Que que eu vou fazer com livro?
  • Minha professora falou que só era pra comprar livro de cinco reais — diz criança do primeiro ano, meio assustada, meio incerta, segurando todos os vales contra o peito.
Gritando internamente.

Claro que lá havia muitas professoras legais e maravilhosas, mas vamos pensar nos exemplos acima, porque não são exceção e sim a regra em todas as esferas sociais, e não apenas nas mais carentes. Muitos dos expositores da feira eram editoras bastante gabaritadas, com obras infantis premiadas no Jabuti, com obras detentoras do selo “Altamente Recomendável”.

O valor atribuído a um livro pelos editores parecia, àquelas pessoas, alto demais, mesmo que o pagamento fosse realizado com vales dados pela prefeitura. Não é por falta de incentivo do governo que muita gente não lê. Agora o pior é que essas pessoas têm influência sobre as crianças para quem dão aula, e incentivam esse tipo de pensamento.

Eu cheguei a falar para uma professora mais grosseira que ela nunca devia ter entrado numa livraria. De olhos arregalados, ela tentou negar, mas eu disse: “Não, professora, eu sei que você nunca entrou numa livraria. Se tivesse entrado, ia estar maravilhada por conseguirmos pôr tantos títulos a dez ou quinze reais”. Não se trata de uma cidade sem livrarias, nem distante da capital de São Paulo. Na verdade, é uma cidade da grande São Paulo.

Bem, saindo dessa tragédia, ainda há mais a ser dito.


O que compõe o preço do livro?

A maior parte das pessoas não faz a menor ideia da quantidade de gente que trabalha num livro. Não tem problema, eu conto.

Começamos com o autor. Esse é óbvio, né?

Ok, vamos adiante. Se o livro é nacional e inédito, quando aprovado pela editora, depois de assinado o contrato com o autor, ele vai para um copidesque. É comum que esse trabalho seja executado pelo editor, ou assistente editorial. Essa pessoa mexe na estrutura do texto. É quem manda o autor tirar uma personagem, aumentar a participação de outra, tirar cenas, acrescentar outras, reescrever outras. Entre editor e autor, essa troca pode acontecer várias vezes, ao longo de meses. Engana-se quem pensa que o livro sai como o autor mandou.

Depois que o texto foi retalhado e reconstruído, vai para um preparador de texto. Essa pessoa vai tirar repetições, incoerências, corrigir erros de coesão e dar uniformidade ao texto, em nível textual.

Seguindo-se ao preparador, vêm as revisões. Digo no plural porque é uma verdade universalmente reconhecida que, ao se mexer muito em um mesmo texto, você deixa erros passarem e não consegue mais vê-los todos. Se a preparação e o copidesque tiverem sido muito trabalhosos, o texto passa idealmente por dois revisores; o primeiro limpa o grosso e o segundo passa o pente fino. Em muitos casos pode haver um terceiro; às vezes até um quarto revisor.

Adivinhe só: todas essas pessoas são pagas. Sendo funcionários da editora oufreelas, o valor do trabalho dela será incluso no preço final do livro.

Há mais coisas depois, mas antes quero fazer o percurso até aqui no caso de uma tradução.

Em traduções não alteramos nada na estrutura do original (presume-se que já tenha passado por tudo isso na editora de origem), mas a etapa é substituída pela tradução em si. Antes disso, a editora paga um adiantamento ao autor. Lembrando que, se o livro é estrangeiro, o custo pode vir a ser pago em dólares ou euros, moedas bem mais valorizadas do que a nossa. Só depois disso, os agentes literários (pois os gringos, sempre os têm para conduzir as negociações) passam os arquivos para a tradução.

Então segue para o tradutor. Eu, enquanto tradutora, sempre faço uma revisão de tradução antes de enviar a minha parte ao revisor de tradução propriamente dito, mas isso não é a regra geral (até porque é comum prazos de tradução serem IN-SA-NOS). O livro então sai do tradutor e vai para o revisor de tradução, que vai pôr o original e o texto traduzido lado a lado e ver se o tradutor não pulou nenhuma frase, ou se deu uma escorregada em alguns pontos, o que é trabalhosíssimo.

Daí vem um peso gigante sobre o revisor de tradução, porque recai sobre ele a tarefa de pescar coisas que possam escapar ao tradutor. Só que ele também trabalha com as duas línguas.

Depois do revisor de tradução, a obra vai para o preparador de textos, porque não basta a tradução estar boa; ela tem que parecer um livro escrito em português (gente, sigam meu perfil aqui no Medium, porque eu escrevo textos sobre tradução e explico melhor esses detalhes do processo da tradução, e o motivo de cada coisa).

O preparador não costuma ver a obra original (a menos que vá fazer também a revisão de tradução), só a traduzida, e seu trabalho consiste principalmente em dar cara de língua portuguesa a ela. Dependendo do tradutor, esse trabalho é mais difícil ou mais fácil.

Após o preparador, o texto passa por dois revisores, pelos mesmos motivos de que já falei no caso das obras nacionais.

Adivinhe? É, toda essa galera é paga.

Se o livro tiver ilustrações internas, o ilustrador entra no processo. Então vem a diagramação, que não é feita por mágica, mas sim por uma pessoa. O livro costuma passar por uma revisão depois que a prova é impressa, em seguida o diagramador faz as correções necessárias.

Entram os responsáveis pelas orelhas e quarta capa, o capista…

Ufa! Acabou?

Ora, a coisa toda só começou. Até aqui não temos exatamente um produto. O livro diagramado e a capa vão para a gráfica (que tem custos de papel, tinta, máquinas…), e de lá ele sai como uma coisa física, real, comercializável.

Sai como? Andando? Não. De transportadora — de onde virá para a editora a conta do frete.

Bem, e quando os livros chegarem, para onde vão? Para um estoque, cujo espaço é pago pela editora, porque nada é de graça nessa vida.

É bom ressaltar que até aqui a editora só pagou e ainda não recebeu nada (nem sabe se vai receber, aliás, porque vendas não são garantidas).

Enquanto isso acontece, o pessoal do marketing está fazendo o que pode para promover o livro com o que tem ao seu alcance: mídias sociais, blogs parceiros, anúncios e compra de espaço em vitrines (no caso de editoras maiores), eventos. E o povo do comercial está vendendo o livro para as livrarias e/ ou distribuidoras. Via de regra, 50% do preço da capa fica com a livraria. Que, vale ressaltar, não é nenhuma vilã. Na verdade, não há vilão.

A livraria, por sua vez, tem vendedores, compradores, funcionários de caixa, aluguel do espaço/ imposto, em alguns casos despesa de estoque, pessoal de logística, administração, financeiro… Logo, o lucro dela também é pequeno.

Quando há distribuidor, este fica com 10% do valor.

Voltemos à editora. Aqueles 50% do preço de capa (ou 40%, caso a venda seja feita via distribuidor) que ela vai receber por exemplar (estamos supondo que todos vendam, hein, e isso não é sempre o que acontece) vão pagar a gráfica, suas contas, os profissionais e o autor, e eventuais empréstimos (porque nem todo mundo tem vários milhares de reais para investir logo de cara).

Ah, o acerto das livrarias varia, mas costuma ser para noventa dias depois da venda do livro ser efetuada para o consumidor. É que as livrarias, como têm todas as suas próprias despesas, não fazem sempre compra de fato (quando o pagamento é para trinta, sessenta ou noventa dias), preferindo fazer consignação. Ou seja, pagam o produto só depois que o consumidor final (o leitor) efetua a compra.

Toda a cadeia para fazer o livro chegar à livraria já foi paga.

Há coisas que ajudam a baratear todo esse investimento? Sim. Uma das mais expressivas é a quantidade de livros impressos, porque, quanto mais você imprime, menor o valor por exemplar. É por isso que livros de mais ou menos o mesmo número de páginas e mesma qualidade gráfica podem variar até trinta reais dependendo do tamanho da editora: as maiores têm como rodar dez mil livros numa só tiragem (o que é bem raro mesmo para elas), enquanto nem todas as pequenas conseguem fazer uma tiragem de mil. Na verdade, para algumas dessas, mil livros é uma tiragem imensa, ambiciosa.

Ah, mas se diminuir a qualidade gráfica, fica mais barato!, você me diz.

Isso nos leva a outro problema…


A questão dos livros estrangeiros baratos

O argumento mais frequente para se alegar que o livro brasileiro é caro, é: no exterior, você encontra livros de três dólares/ euros, mas não fazem edições tão baratas aqui.

Antes de qualquer outra coisa, os livros baratos são ou obras em domínio público há muito tempo (clássicos) ou best-sellers. Ninguém faz edição barata de lançamento. Só fazem mass market paperback (aquele livrinho bem modesto, com miolo em papel “de pão”, capa que rasga com um sopro e formatação minúscula) de sucessos estrondosos, depois de tiragens de lançamento terem se esgotado (rápido, senão não é best-seller).

Na Europa, especialmente na França, livros de crítica literária e de arte e ciências humanas ganham pockets. Você precisa entender o quanto isso é sintomático. Só livros que são absoluto estouro de vendas ganham edições de bolso. Temos de levar em conta que as edições iniciais por lá são de cinco, dez mil livros. Aqui, em caso de livros técnicos, se mil venderem em cinco anos, ele é um arraso.

Ok, entendi. Você acha que isso não tem nada a ver com você.

Outra coisa muito importante dentro desse quadro que você precisa ter em mente é que os livros best-seller americanos estão em sua língua nativa, portanto eles não têm um alto investimento em tradução para recuperar. Assim sendo, os primeiros investimentos para colocar um lançamento no mercado tendem a ser recuperados mais depressa. Ou seja, um livro de bolso brasileiro do George R. R.Martin dificilmente vai ser tão barato quanto um americano, mesmo tendo a mesma (baixa) qualidade e (alta) tiragem, pois aqui se somam os custos de tradução e demais trabalhos editoriais que o original não recebe, bem como o adiantamento de direitos autorais já mencionado.

Além disso, a qualidade gráfica desses livros baratos é muito inferior à dos nossos livros. Na verdade, mesmo as edições de luxo: eles não imprimem a capa na parte dura, põem sempre uma luva em papel couché ou similar (que amassa e rasga que é uma beleza).

Por que não fazemos edições baratinhas, então? Aqui, até as editoras de livrospocket usam qualidade gráfica melhor, usando no mínimo offset (o papel branco normal).

Por mais que eu conheça pessoas que declaram gostar de comprar edições estrangeiras, e que gostariam de ter similares aqui, a realidade tem se apresentado diferente desse discurso.

O nosso público leitor é menor e mais exigente em questão de qualidade de material.

Se você discorda, repare em algumas situações que se repetem atualmente. Por exemplo, em megapromoções do Submarino, é comum o livro vir com qualidade inferior: capa mais fina, brilhante (no lugar daquela fosca com verniz localizado), papel branco (no lugar do amarelo), sem orelhas.

Você vê pessoas falando: “Nossa, que legal, baratearam a edição para conseguir vender mais barato”? Até que vê. Às vezes. Mas o que testemunhamos mais é uma enxurrada de “Aff, fui enganado, olha que livro vagabundo, não é a edição da livraria”. Claro que não, cara pálida. Você faz ideia do quanto custa imprimir um livro (especialmente os mais grossos) com orelhas, capa em papel supremo, fosca, com verniz e miolo em pólen ou avena (amarelos)?

Reclamam da qualidade das edições feitas para vendas ao governo, destinadas à distribuição em escolas públicas, por terem qualidade gráfica muito inferior.

Nas feiras de livros, das menores às bienais, enquanto vendia livros, vi muita gente deixando de comprar tal livro porque o papel é branco, porque não tem orelha, porque a formatação parece “espremida”.

O povo adora as edições de bolso capa dura da Zahar, né? Quer edição bonita, tem que pagar por ela, porque a editora já pagou.

O mercado literário, como qualquer outro, é regido pela lei da oferta e da procura. Se as editoras recebessem verdadeira demanda de edições mais simples e baratas, elas as colocariam no mercado. Em vez disso, o pouco que se coloca costuma ser desdenhado e demorar mais a vender. Até as editoras especializadas em publicação de edições de bolso estão cada vez mais criando edições de bolso “de luxo”. Esse movimento tem uma razão de ser, ou não aconteceria. Algo que demora a vender configura dinheiro investido sem retorno, dinheiro parado, prejuízo.

Daí você me diz: “mas eu compro edições gringas, então sou consumidor desse tipo de livro”. Compra, e reclama que rasgou, que a lombada fica danificada. E você não é maioria (novamente, se fosse, haveria o produto no mercado).


Uma última palavrinha sobre megapromoções

Cito Submarino e, mais recentemente, Amazon, por serem as lojas que trazem promoções de livros físicos a R$ 9,90, box de cinco livros por R$ 40,00, e outras coisas igualmente insanas.

Como isso é possível?

Há duas situações.

Em uma delas, feliz, os livros já se pagaram e agora só dão lucro. Se a loja recebe R$ 9,90, à editora é repassado valor bem menor que esse. Podemos chutar uns 50%? Muito, mas sejamos otimistas. Então as tiragens são imensas (custo de gráfica menor por exemplar), o autor recebe direitos autorais em condições especiais (geralmente sobre o preço de venda, e não o de capa), e o investimento inicial da editora no trabalho editorial, publicitário e comercial já foi recuperado.

Se não for nessas condições, a promoção só é possível com encalhes — livros que não vendem e dão prejuízo à editora se muito tempo parados no estoque, já que o estoque é pago de todo modo. Então, a participação em uma promoção dessas é uma forma de perder menos dinheiro.

Então, para concluir, é o seguinte: se o livro vender muito, ele fica mais barato.

Se o preço não abaixa, costuma ser porque ainda não se pagou.

Se o preço abaixar sem o livro ter se pagado, ele dá prejuízo aos envolvidos.

Se o livro não se pagou, é porque não vendeu.

Considerando tudo o que expliquei neste longo texto, não acho o livro caro no Brasil. Mas, se você quiser achar, tudo bem. Só entenda que você, na qualidade de consumidor, tem uma parcela de culpa nisso.

Fonte: https://cabineliteraria.com.br/livro-no-brasil-nao-e-caro-coisa-nenhuma-abf5ad62e718

Chilly at Work? Office Formula Was Devised for Men

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Summers are hot in Omaha, where heat indexes can top 100 degrees. But Molly Mahannah is prepared.

At the office, she bundles up in cardigans or an oversized sweatshirt from her file drawer. Then, she says, “I have a huge blanket at my desk that I’ve got myself wrapped in like a burrito.” Recently, “I was so cold, I was like ‘I’m just going to sit in my car in like 100-degree heat for like five minutes, and bake.’”

Ms. Mahannah, 24, who posted on Twitter that at work she felt like an icy White Walker from “Game of Thrones,” said a female co-worker at her digital marketing agency cloaked herself in sweaters, too. But the men? “They’re in, like, shorts.”

Right. It happens every summer: Offices turn on the air-conditioning, and women freeze into Popsicles.

Molly Mahannah in a sweater and blanket at her office in Omaha.Blame a Male-Biased Algorithm for the Temperature in Your Office? Readers RespondAUG. 4, 2015
News Analysis: Enduring Summer’s Deep FreezeJULY 4, 2015
Finally, scientists (two men, for the record) are urging an end to the Great Arctic Office Conspiracy. Their study, published Monday in the journal Nature Climate Change, says that most office buildings set temperatures based on a decades-old formula that uses the metabolic rates of men. The study concludes that buildings should “reduce gender-discriminating bias in thermal comfort” because setting temperatures at slightly warmer levels can help combat global warming.

“In a lot of buildings, you see energy consumption is a lot higher because the standard is calibrated for men’s body heat production,” said Boris Kingma, a co-author of the study and a biophysicist at Maastricht University Medical Center in the Netherlands. “If you have a more accurate view of the thermal demand of the people inside, then you can design the building so that you are wasting a lot less energy, and that means the carbon dioxide emission is less.”

The study says most building thermostats follow a “thermal comfort model that was developed in the 1960s,” which considers factors like air temperature, air speed, vapor pressure and clothing insulation, using a version of Fanger’s thermal comfort equation.

PMV = [0.303e-0.036M + 0.028]{(M – W) – 3.96E-8ƒcl[(tcl + 273)4 – (tr + 273)4] – ƒclhc(tcl – ta) – 3.05[5.73 – 0.007(M – W) – pa] – 0.42[(M – W) – 58.15] – 0.0173M(5.87 – pa) – 0.0014M(34 – ta)}

It is converted to a seven-point scale and compared against the Predicted Percentage Dissatisfied, a gauge of how many people are likely to feel uncomfortably cool or warm.

Seems simple enough.

But Dr. Kingma and his colleague, Wouter van Marken Lichtenbelt, write that one variable in the formula, resting metabolic rate (how fast we generate heat), is based on a 40-year-old man weighing about 154 pounds.

Maybe that man once represented most people in offices. But women now constitute half of the work force and usually have slower metabolic rates than men, mostly because they are smaller and have more body fat, which has lower metabolic rates than muscle. Indeed, the study says, the current model “may overestimate resting heat production of women by up to 35 percent.”

“If women have lower need for cooling it actually means you can save energy, because right now we’re just cooling for this male population,” said Joost van Hoof, a building physicist at Fontys University of Applied Sciences in the Netherlands, who was not involved in the study.

“Many men think that women are just nagging,” he said. “But it’s because of their physiology.”

Physiology and clothing. The authors also note that the model is not always calibrated accurately for women’s summer wardrobes. Dr. van Hoof, who wrote a commentary about the study, observed that many men still wear suits and ties in the summer but many women wear skirts, sandals and other lighter, more skin-baring clothes.

“The cleavage is closer to the core of the body, so the temperature difference between the air temperature and the body temperature there is higher when it’s cold,” he said.

So for the planet’s sake, men should “stop complaining,” Dr. Kingma said. “If it is too warm, the behavior thing you can do is take off a piece of clothing, but you can only do that so much. You could also say let’s keep it a very cold building and women should just wear more clothes.”

But his study offers another solution: Change the formula.

The researchers tested 16 women, students in their 20s, doing seated work wearing light clothes in rooms called respiration chambers, which track oxygen inhaled and carbon dioxide exhaled. Skin temperature was measured on hands, the abdomen and elsewhere. A thermometer pill the women swallowed reported internal body temperature.

Researchers found the women’s average metabolic rate was 20 to 32 percent lower than rates in the standard chart used to set building temperature. So they propose adjusting the model to include actual metabolic rates of women and men, plus factors like body tissue insulation, not just clothing. For example, people who weigh more get warmer faster, and older people have slower metabolic rates, the study reported.

How much warmer an office would become would vary, of course, but the study cites research finding as much as a five-degree difference in women and men’s preferences. Dr. Kingma said a woman might prefer a 75-degree room, while a man might prefer about 70 degrees, which Dr. Kingma said is a common current office temperature.

Some experts doubt the proposed formula would be easily adopted.

Khee Poh Lam, an architecture professor at Carnegie Mellon, said even if the industry accepted a change to the longstanding model, buildings often house different businesses or “squeeze more people in” than they were designed for and partition offices so thermostats and vents are in different rooms. Given these improvisations, he added, “whether this actually affects energy, I think that’s a big leap.”

Still, he said, “we need to keep pushing” for improvements because “the phenomenon of women getting cold is very, very obvious,” and cold or hot employees are less productive.

Individualized temperature controls are the eventual answer, said Dr. Lam, who helped design a “personal environmental module” in the 1990s that was deemed too expensive for commercial development. Now others are developing systems to let workers make their cubicles warmer or cooler.

Kimberly Mark, 31, would appreciate that. This summer, at a software company in Natick, Mass., she and female colleagues are using space heaters. The thermostat is in the office of “the guy next to me,” she said, “and I’m the only woman in the offices that he controls.”

Phoebe McPherson, 21, said she sometimes wears thick leggings, a long-sleeve shirt, a sweatshirt and motorcycle boots to work at a health technology startup in Reston, Va. She often adds a tartan blanket, wraps “a blanket around my legs,” and despite the glaring fashion faux pas, wears a Snuggie backward to seal off any openings.

“I wore a dress once and had to go change,” said Ms. McPherson, who attended college in New Hampshire. While male colleagues wear T-shirts, “I’m bringing all my New Hampshire clothes to work.” And when that and hot coffee fail, she nuzzles against a white fake-fur wall in the office, just to “feel my skin warming up against the fur.”

Ashaki Lloyd contributed reporting.

Fonte: http://www.nytimes.com/2015/08/04/science/chilly-at-work-a-decades-old-formula-may-be-to-blame.html?mabReward=A5&action=click&pgtype=Homepage&region=CColumn&module=Recommendation&src=rechp&WT.nav=RecEngine&_r=1

Privacidade na Internet, espionagem e o Marco Civil

Posted on 27/10/2013 by 
Surveillance_quevaal(Fonte: Wikimedia Commons)

 

Segurança e Privacidade

Por serem conceitos muito próximos, muitos confundem os termos segurança e privacidade. Sendo bem abrangente: segurança consiste em ficar a salvo de perigos ou ameaças enquanto privacidade se trata do direito de optar por não ter detalhes íntimos expostos ao público.

Ao construir uma moradia você coloca grades ou trancas para garantir sua segurança. Já cortinas ou portas internas (como a do banheiro) são pra garantir sua privacidade. Uma roupa de frio num inverno rigoroso é segurança, usar roupas mesmo no verão é privacidade.

 

Só quer privacidade quem está fazendo algo errado?

Vejo variações dessa frase sempre que surgem discussões sobre privacidade. Vamos pensar sobre privacidade e segredo. Sobre privacidade já discutimos, mas e segredo?

Em vez de copiar do dicionário vou apelar para um exemplo:

Imagine que você é solteiro(a) e resolva sair com alguém, depois com outro alguém… e mais outro. Embora não tenha nenhum crime nisso você pode optar por não querer que todos fiquem sabendo. Isso é privacidade. Agora imagine que você tem um compromisso monogâmico com alguém e faz o mesmo, escondendo o ocorrido de seu par. Isso foi um segredo.

Posso falar por horas de situações nas quais uma pessoa prefira usar de sua privacidade e que não sejam atos condenáveis:

  • uma doença que você prefira não tornar pública,
  • seu salário,
  • o fato de estar fazendo entrevistas para um novo emprego,
  • sua idade,
  • seu peso,
  • coisas que se faz entre quatro paredes …

O que não seria uma exposição grave pra mim pode ser pra você que está lendo. E isso é subjetivo. Depende de criação, relacionamentos, religião, contexto.

A privacidade é um valor inerente ao ser humano. O direito de cada indivíduo de controlar quem tem acesso a suas informações mais íntimas é reconhecido pela maioria dos governos democráticos, inclusive pela nossa constituição.

 

Privacidade em tempos de Internet

Além do fato de um site seguro não necessariamente garantir sua privacidade, quais as diferenças quando se trata de Internet? Vou listar algumas…

Invisível e pervasiva

A Internet é algo invisível, intangível. E é tão intrinsecamente presente em nossas vidas que esquecemos dela. A gente fecha a porta do banheiro para se trocar, mas não tampa a câmara do notebook da sala. Estou sendo paranóico? Então olhe Câmeras conectadas à internet colocam em risco privacidade do internauta ou Falha pode dar acesso à webcam sem que usuário perceba. Quem tem um smartphone está levando consigo, o tempo todo e para todo lugar, uma câmera, um microfone e um GPS. Quem tem uma Smart TV moderna tem uma câmera apontada pra sua sala 24 horas por dia.

É eterna

Pode ser que você já tenha feito algo – em uma festa talvez? – que foi visto por outras pessoas, mas que a princípio deveria morrer ali. Pessoas cometem erros, emitem opiniões ainda não inteiramente formadas. É parte do crescimento enquanto ser humano e não deveria ser usado contra uma pessoa. Pois na Internet tudo que você faz é gravado, catalogado, e eterno. Está em algum backup de algum servidor em algum lugar. A princípio por motivos técnicos, mas se houver uso antiético da tecnologia, isso pode voltar pra te assombrar.

Pense em uma criança nascida hoje em dia. Grandes são as chances de que cada e-mail, cada telefonema, cada SMS, cada viagem (lembre-se do GPS), cada chat, cada ligação, cada vez que ela passa por uma câmera de segurança… enfim, de que todas essas informações estejam sendo gravadas e catalogadas. Potencialmente acessíveis a uma corporação ou um governo.

Big Dataanalytics, metadados

Esse não é um artigo técnico, então vou ser breve: embora alguns dados pareçam inúteis ou inofensivos se analisados sozinhos, existem ferramentas computacionais e estatísticas que extraem informações importantes sobre uma população – ou sobre um indivíduo – através da análise de um volume massivo de dados que, a princípio, parecem não dizer nada.

Pra citar um exemplo menos assustador: Uma rede americana estava conseguindo detectar quando suas clientes estavam grávidas a partir da mudança nos hábitos de compras. Eles analisaram mudança no tamanho das bolsas adquiridas e tipo de loções para a pele. O motivo era enviar felicitações para as futuras mamães. Isso fez uma garota denunciar a loja porque a família ficou sabendo da gravidez pela loja e não por ela. Ver How Target Figured Out A Teen Girl Was Pregnant Before Her Father Did.

É novo

Essa discussão é nova. Nossa regulamentação ainda não esta preparada, nossos hábitos também não.

Também a maneira de gerar dinheiro com informação mudou. Antes empresas como emissoras de TV garantiam que nossa atenção ficasse nas telas e capitalizava vendendo essa “janela de atenção” aos anunciantes. Isso evoluiu e hoje temos leis e órgãos regulamentadores como oCONAR para impedir abusos. Atualmente muitas empresas coletam informações sobre nossos hábitos, ações e gostos (nossa privacidade) e usam isso para gerar lucro. Não é uma questão de certo e errado, é apenas novo.

Em termos de lei estamos avançado um pouco aqui no Brasil com as discussões sobre o Marco Civil, mas isso ainda está longe de ser maduro.

 

O PRISM e a espionagem

Comentei um monte de coisas no sentido de “e se usassem para o mal?”, “e se fossem antiéticos?”, “e se um governo ou corporação olhasse tudo?”. As descobertas do Edward Snowden(que arriscou a vida contando isso) demonstram que há anos saímos da especulação e do “e se?“.A coleta, armazenamento e uso – político, econômico e militar – desses dados está acontecendo há anos. De uma maneira tão invisível e gigantesca que deixou pra trás todas as teorias conspiratórias e filmes de ficção. Quantas outras organizações fazem o mesmo e não foram descobertas?

 

E porque o Brasil?

Porque que o Brasil é mais monitorado do que os inimigos clássicos dos EUA? A justificativa interna, para garantir apoio do eleitorado americano, é a costumeira:

“Somos obrigados a desrespeitar a privacidade para te defender dos terroristas!”

O pretexto da segurança é frequentemente usado (por vezes de maneira questionável) para minar privacidade e liberdade. Mas Brasil? Petrobrás? Ministério de Minas e energia? Seu e-mail? Não me parece que a justificativa do terrorismo se aplique.

Talvez seja por vantagens políticas e econômicas. Você já jogou pôquer ou investiu na bolsa ou fez outra coisa que envolva estratégia? Se sim, imagine estar sempre um passo a frente do competidor sabendo o que ele pensa e o que vai fazer depois. Indo além, será que não daria para usar informações privadas para, por exemplo, chantagem?

Não se engane com piadinhas satirizando como se não tivéssemos importância no mundo. Somos uma das maiores economias do mundo. Temos muita água. Temos petróleo. Temos tecnologia. Temos alta capacidade de produção de alimentos e remédios. Somos um gigantesco mercado consumidor, com cada vez mais poder aquisitivo. Temos biodiversidade. Estamos construindo nosso submarino nuclear. Temos força política internacional. O Brasil tem lá sua importância no cenário global.

 

É claro, não se trata de “8 ou 80

Muitas vezes o acesso a essas informações sobre meus hábitos possibilita serviços melhores: propagandas direcionadas em vez de SPAMS, sites que conhecem meus gostos, indicações personalizadas em lojas… isso é ótimo. Outro ponto é que muitos serviços apenas são gratuitos porque capitalizam através desses dados. Se tudo isso fosse proibido talvez nossas redes sociais e e-mails se tornassem serviços pagos.

Assim como no caso da segurança, privacidade na Internet e praticidade de uso são dois pratos em uma mesma balança. Existem meios de se tornar mais anônimo, mas a experiência de uso se torna muito pior. Em nível pessoal, há de se refletir e ver que informação você está disposto a dar em troca do que quer receber. Em nível legislativo, há de se mudar as leis e os mecanismos de controle para proteger as pessoas e países de abusos,  ataques ilícitos e falta de transparência sobre como,  quando e porquê usarão seus detalhes pessoais.

 

Convite à reflexão

Para aqueles que, como eu, trabalham com tecnologia:

Tenhamos consciência do que estamos criando.

Muitas vezes nossos clientes não irão entender que uma decisão técnica pode por em xeque (ou reforçar) a privacidade das pessoas, cabe a nós pensar nisso e criar tecnologias melhores, e não apenas do ponto de vista técnico.

Para todos:

Estamos presenciando uma mudança razoável nas relações entre tecnologia, sociedade e privacidade. Ainda não há respostas absolutas.

Faço então um convite à reflexão. Um convite a acompanhar os debates sobre o Marco Civil, a assinar em favor do mesmo caso você acredite, a refletir sobre a gravidade dessa espionagem recente, a pensar antes de postar algo.

Em suma:  Tenha você o controle quanto a exposição  da sua vida e exija transparência sobre quando, como e porquê usarão suas experiências para gerar lucro ou poder.

 

Há mais gente preocupada

E a preocupação não é de hoje.

No último FISL, 14º Fórum Internacional do Software Livre, entre os dias 3 e 6 de julho com milhares de pessoas no Centro de Eventos da PucRS em Porto Alegre, este assunto teve destaque. Vejam Primeiro dia do Fisl discute a internet centralizada e monopolizada.

Neste primeiro dia do FISL Roy Singham falou sobre a ascenção dos monopólios e do totalitarismo na Internet. Segundo o ClicRBS, ao falar sobre privacidade o Roy com um smartphone na mão chegou a dizer: “isso aqui não é um celular, é um aparelho de rastreamento”.

Silvio Meira abordou este assunto em 5 artigos que valem a pena ler:

governo dos EUA vigia todo mundoEUA vigia todo mundo: e agora?BRASIL, EUA, espionagem, problemas e oportunidades– 
privacidade, política, infraestruturaos tempos da internet: antes e depois de snowdenSobre o Marco Civil o prof. e membro do CGI.br Sérgio Amadeu da Silveira publicou a figura abaixo no último dia 25 no Facebook

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Vamos ajudar a divulgar a luta pela aprovação do Marco Civil com neutralidade, privacidade e sem a remoção de conteúdos sem ordem judicial.

Vejam também O CGI.br e o Marco Civil da Internet

A UNICAMP se antecipou ao problema e desde 2009 tem um grupo discutindo vigilância, tecnologia e sociedade

Uma outra iniciativa que nasceu na UNICAMP mas de forma não oficial e que vale conhecer é a Rádio Muda

Fonte: http://p2p3.com.br/privacidade-na-internet-espionagem-e-o-marco-civil/

Por que a votação do marco civil afeta todos os usuários de internet no Brasil?

O Marco Civil da Internet é um projeto de lei reconhecido internacionalmente tanto pela maneira democrática e multisetorial em que o texto foi elaborado, como pelo conteúdo resultante das consultas públicas, que visa resguardar direitos aos usuários de internet no Brasil.

O subconsciente é a nova fronteira do design

Uma nova fronteira está se abrindo para pensar nossa relação com as máquinas. Até hoje, o design de interfaces é pensado apenas para um aspecto da mente humana: nossa consciência “racional”. A ideia é sempre tornar as interfaces mais eficientes, permitindo fazer mais trabalho em menos tempo. Um exemplo é o iOS 7, recém-lançado pela Apple, que recebeu elogios por ser mais “produtivo”.

No entanto, começam a surgir discussões sobre se o design do futuro não deve levar em consideração também aspectos do “subconsciente”. De nada adianta uma interface ser mais produtiva se ela sobrecarrega o usuário. Em outras palavras, um novo sistema operacional pode ser ótimo do ponto de vista racional, mas produzir efeitos negativos para a criatividade e mesmo para o bem-estar psíquico dos seus usuários.

Um interessante texto sobre esse assunto pode ser lido aqui. Nele, Joi Ito, diretor do Media Lab do MIT, diz: “O bom design comunica-se com nosso sistema emocional, que é mais amplo e mais rápido. Você dirige um carro ou joga basquete melhor se a mente racional sair do caminho, nos deixando ser mais intuitivos.”

Essa é uma sensação que quem joga videogames conhece bem. Quem joga “Call of Duty” sabe que em algumas fases é fundamental mergulhar em um estado de fluidez, tomando decisões ao nível do inconsciente, muito mais rápidas, e que esse é o único jeito de vencer.

O desafio é reproduzir esse estado de “fluidez” não só nos games, mas também em qualquer outra interface. Não vai ser surpresa quando as principais empresas da internet partirem para valer em busca da conquista do subconsciente.

Ronaldo Lemos é diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro e do Creative Commons no Brasil. É professor de Propriedade Intelectual da Faculdade de Direito da UERJ e pesquisador do MIT Media Lab. Foi professor visitante da Universidade de Princeton. Mestre em direito por Harvard e doutor em direito pela USP, é autor de livros como “Tecnobrega: o Pará Reiventando o Negócio da Música” (Aeroplano) e “Futuros Possíveis” (Ed. Sulina). Escreve às segundas na versão impressa do “Tec”.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/ronaldolemos/2013/10/1351967-o-subconsciente-e-a-nova-fronteira-do-design.shtml