Amizade para a vida toda, ou não?

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Eu sempre acreditei que amizade verdadeira é aquela que dura para sempre. Mas hoje eu vejo essa relação de amizade de forma diferente. Acorrentar uma pessoa a sua vida pelo simples fato de que se for verdadeiro tem que durar é um ato de egoísmo com a sua vida e com a vida da amizade.

Como em qualquer outro relacionamento, as mudanças acontecem e isso pode mexer e muito com o modo de se relacionar. Os valores, as vontades, os gostos, tudo muda, e se as pessoas não estão na mesma frequência o relacionamento se esgota e não necessariamente precisa acabar, mas com as afinidades sendo direcionadas para outros rumos a gente acaba perdendo o contato e até a vontade de estar junto e partilhar histórias e momentos.

Fica uma ressalva: isso não significa que a amizade não tenha sido verdadeira, produtiva e construtiva, pelo contrário, tudo que ela deixa são bons frutos que foram semeados, plantados e cultivados com muito carinho.

Ter velhas amigas é lindo sim, e algumas são quase como irmãs. Ela é aquela pessoa que lê o seu olhar diante de uma situação engraçada, entra na sua sintonia na hora que começa aquele papo chato na rodinha, é aquela pessoa que faz a ligação com o seu passado. E como é bom uma amizade duradoura, dessas que a gente tem desde a infância, que lembra de quando vocês brincavam na rua de queimada, rouba-bandeira, jogo da verdade (sim, eu sou dessa época maravilhosa), da primeira festa, do primeiro beijo que você morria de vergonha, enfim, essa amizade que sabe tudo da sua vida e você da vida dela.

Uma amizade não precisa ser “para a vida toda” para ser verdadeira

Se ela durar uma vida inteira, que bom, que lindo. Mas se não durar é porque ela é como qualquer relacionamento, tem seu tempo de duração onde os interesses foram comuns e se você muda para um lado e a amizade muda para outro lado. O relacionamento pode não resistir, mas que permaneça o que foi vivenciado nesse tempo de partilhas, encontros e toda a beleza de ter uma boa amiga.

Eu tenho muitos amigos, sempre gostei de conhecer gente nova, ouvir o coração da outra pessoa, de me abrir para ela, e por isso ao longo da minha vida eu fui criando laços e desfazendo também. Quantas pessoas já passaram pela minha vida que contribuíram para que eu chegasse até aqui, quanto aprendizado já colecionei com pessoas irreverentes, certinhas, engraçadas, bagunceiras, sem noção, sistemáticas, estranhas, amorosas, enfim, tenho certeza de que muito do que sou hoje são parcelas do que fui conhecendo nesses relacionamentos de amizade que me fizeram tão bem.

As grandes amigas, talvez aquelas que tocam a alma da gente por serem do mesmo cacho da mesma fôrma, permanecem. Essas não estão aprisionadas, mas por uma afinidade de almas estão ligadas umas às outras. Elas se conhecem tão bem que não necessitam da sintonia em tempo integral, podem fazer escolhas diferentes, trilhar caminhos diferentes, ficar anos sem se encontrar, e quando o reencontro acontecer, vai sempre parecer que foi ontem. Esse tipo de afinidade hoje em dia é valioso, muito valioso. Em tempo de descartes rápidos, uma amizade duradoura é tesouro encontrado no fundo do mar dentro de um navio naufragado. Há que se cuidar de um relacionamento assim, para que ele floresça sempre, mesmo que não seja primavera.

É como dizia Vinícius de Moraes, ‘suportaria, embora não sem dor, se morressem todos os meus amores, mas morreria se perdesse todos os meus amigos’. Amizade é um dos melhores relacionamentos que a gente tem na vida. O entrosamento, a alegria no olhar, o abraço que acalenta, os palavrões que demonstram afeto genuíno, uma mesa de bar, uma cerveja ou suco, tanto faz, desde que esteja gelado, uma amiga para partilhar o momento, seja ele de alegria ou tristeza.

Sim, vale a pena ter uma amiga que seja para a vida toda, uma #migasualoka que faz a sua vida mais doce, suave e que faz todas as suas loucuras fazerem sentido, uma #migasualoka que segura seu cabelo naquela ressaca dolorida, que mostra para você todas as qualidades que aquele boy não teve o dom de perceber, que liga na sexta à noite e diz: hoje você vai sair de casa de qualquer jeito, que compra a briga com e por você, que fica brava, muito brava com quem te fez chorar, que quer o seu bem e quer muito estar ao seu lado por todos os anos da sua vida.

Amizade verdadeira existe em qualquer tempo e pelo tempo tiver que durar, o que na verdade se torna raro são as amizades para toda a vida. Sorte de quem tem!

Para todas as #migasualoka da vida, eu desejo que você tenha um amor tranquilo, com sabor de fruta mordida, mas mais que isso, eu desejo que você tenha uma grande amiga em quem possa confiar e que seja para toda a vida!

Link: http://amenteemaravilhosa.com.br/amizade-para-vida-toda-ou-nao/

O que eu desconheço

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Clarice Lispector, ucraniana que viveu no Brasil, foi uma das pessoas mais inteligentes na produção da literatura, da educação e da arte dentro da nossa história. Em um de seus textos, disse: “aquilo que eu ignoro é minha melhor parte”.

Aquilo que ainda não sei, aquilo que eu desconheço, é o melhor de mim. Não porque a ignorância precise ser elevada a um patamar superior, mas quando Clarice Lispector nos lembra isso, mostra que aquilo que eu ainda não sei é o meu território de renovação, de reinvenção, de crescimento, aquilo que me tira do “mesmo”, que me impede de ficar repetitivo.

O que eu ainda não sei revigora as possibilidades dos degraus futuros do conhecimento, à medida que alarga as minhas fronteiras de saber e indica um horizonte que pode ser vislumbrado e desejado.

Saber que não sabe muita coisa, saber que desconhece muita coisa ajuda a querer buscar esse conhecimento. E esse é um caminho que não termina, segue adiante na sua história, na sua formação, na sua educação permanente.

É necessário valorizar o que se desconhece, como lembrou Clarice Lispector.

Mario Sergio Cortella
(CORTELLA, Mario Sergio. O que eu desconheço. In: _____. Pensar bem nos faz bem!: 1.filosofia, religião, ciência e educação. São Paulo: Vozes/Ferraz & Cortella, 4. ed., 2014, p. 58.)

Ler mais: http://www.contioutra.com/o-que-eu-desconheco-por-mario-sergio-cortella/#ixzz42Lqx4fcU

Como obter ajuda do seu anjo da guarda

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Os Anjos podem mudar sua vida. E tudo o que terá de fazer é pedir que eles o ajudem. Apenas isso. Vamos considerar alquimicamente essa decisão, analisando suas quatro condições necessárias: querer, poder, saber e ousar.

Querer Dou como certo que você quer entabular essa comunicação e que deseja realmente pedir ajuda aos planos superiores da existência. O querer é o motor de tudo. E se esse motor falhar ou inexistir, não haverá possibilidade de atingirmos a meta nem de obtermos resultado algum, por muito que essa meta e esses resultados tão desejados estejam nos esperando após a primeira curva do caminho.

Poder todos podemos. Nem mesmo o fato de não se acreditar na existência dos Anjos será um impedimento para recorrermos a eles e nos beneficiarmos de sua ajuda. É mais do que certo que o poder da fé é enorme e que ela “move montanhas”, mas nesse caso seu papel – embora ajude a estabelecer a comunicação – não é primordial. Não estamos aqui tratando de nenhum tipo de “auto-ajuda”, “auto-programação” ou “auto-hipnose”, mas sim de pedir – e obter – o auxílio de seres tão reais como nós, mesmo que nossos sentidos não sejam capazes de percebê-los.

Saber -na realidade, não existe protocolo nem normas estabelecidas. Qualquer chamada, qualquer tentativa de nos dirigirmos a eles que seja sincera e parta do coração chegará, será ouvida e atendida. No entanto, para evitar interferências é bom ter as seguintes recomendações em mente, que não passam de leis universais aplicadas a este caso em particular.

1. Evitar a pressa e a precipitação

Mesmo que as chamadas urgentes e desesperadas sejam prontamente atendidas, o contato com nosso Anjo da guarda – ou qualquer outro – se realiza melhor em uma atmosfera de calma e tranquilidade, tanto interior como exterior.


2. Lembrar-se sempre do imenso poder criativo da palavra

A fala inconsciente e ociosa contém sempre um perigo, e esse perigo se multiplica por mil quando os termos empregados têm uma carga transcendente ou divina. Na Religião judaica, a proibição de pronunciar o nome de Deus não precisa de justificativa. Até hoje, nos países de língua francesa, a expressão Nom de Dieu!, que para nós soa muito inocente, é considerada uma das piores blasfêmias a ser pronunciadas. E precisamente um dos mais frequentes abusos das palavras são as blasfêmias e as maldições. Por isso é conveniente evitarmos a companhia daqueles que costumam contaminar o espaço com palavras ociosas, para que a energia positiva não se distancie dali. É importante abster-se do emprego inconsciente daqueles termos que se referem ao mais sagrado: Deus, Jesus, a Virgem e todas as combinações de letras que nos ligam, de um modo ou de outro, aos planos superiores. O uso dessas palavras sempre provoca um efeito, e sua utilização em momentos de cólera ou rancor tem a mesma consequência de jogar uma pedra para o alto e ela, ao cair, atingir nossa própria cabeça. Tudo irá melhor na nossa vida se reservarmos as palavras importantes para momentos importantes.


3. Empregar sempre o tempo presente em nossos pedidos

No mundo dos Anjos não existe passado nem futuro; o sábio sufi Nasafi escreveu há mais de 1300 anos: “Os Anjos estão no mundo invisível, eles mesmos são o mundo invisível. Nesse mundo não há ontem nem amanhã, nem passado nem ano presente nem próximo ano. Indiferentemente, 100mil anos passados e 100 mil anos futuros estão presentes. Já que o mundo do invisível não é o mundo dos contrários, a oposição é apenas um produto do mundo visível. O tempo e a dimensão temporal existem somente para nós, filhos das esferas e das estrelas, habitantes do mundo visível. No mundo invisível, não há tempo, nem dimensão temporal. Tudo o que existiu, existe e irá existir, está sempre presente”. Portanto, devemos nos esforçar para não utilizar o passado e o futuro em nossos pedidos, a fim de evitarmos que seja difícil para o nosso Anjo captá-los. Lembre-se de que ele só conhece “o agora”.


4. Expressar-se sempre de uma maneira positiva

Por exemplo, jamais devemos pedir: “Que eu não perca meu emprego” ou “Que meu marido não morra”, e sim, pedir aquilo que de fato desejamos, de forma simples e direta: “Manter nosso trabalho” ou “que meu marido tenha sempre saúde e que o amor reine em nosso casamento”. Ao utilizarmos frases negativas, mesmo que de maneira inconsciente, já estaremos imaginando a perda, a derrota, e será isso o que transmitiremos aos planos mais sutis da realidade e aos seres que atenderão às nossas súplicas; como consequência, é bem provável que seja isso o que obteremos no final.


5. Considerar o assunto terminado, até incluindo no pedido agradecimentos por já ter sido resolvido o problema apresentado

Essa é a forma mais efetiva de eliminar as dúvidas, que com certeza também seriam transmitidas, criando obstáculos em todo o processo. Trata-se de evitar por todos os meios que, enquanto nos dedicamos a fazer o pedido da melhor maneira possível, nossa mente esteja, na realidade, transmitindo: quero isto, mas não tenho muita certeza de que este pedido servirá para algo. Qual das duas idéias os Anjos deverão captar?


6. Sermos muito cuidadosos, pois receberemos exatamente aquilo que estamos solicitando

Com toda uma série de implicações- inerentes ao fato ou ao objeto desejado – que talvez não consigamos imaginar. Convém compararmos as circunstâncias e as situações da vida com uma moeda: é impossível ter uma moeda com apenas uma face. Quem quiser possuí-la, forçosamente terá a moeda com duas faces.


7. Sermos claros e concisos, evitando as incongruências

Os Anjos não gostam de ouvir bobagens. Nunca devemos cair no absurdo de brincar com orações, como, por exemplo: “Senhor, dai-me paciência, mas a quero já”; nem de fazer pedidos malucos como o de um marido que deseja que a esposa lhe seja fiel, enquanto ele a trai com diversas amantes; nem de ter falsas atitudes como a de um ladrão profissional que assiste à missa e comunga todos os dias antes de iniciar sua jornada de “trabalho”.


8. Finalmente, é importante dar as graças

Isto fecha e conclui o ciclo. A ação de agradecer consolida o favor obtido e nos confere título de propriedade sobre ele. Omitir o agradecimento é deixar aberto um círculo, pelo qual a energia pode escapar deixando efeitos indesejados.

Ousar – o passo mais decisivo é ousar a abordagem de um tipo de comunicação e de relação totalmente diferente. O primeiro passo é ousarmos pensar que, mesmo que nosso sentidos não captem os Anjos, existe a possibilidade de que sejam uma realidade e de que uma comunicação deles conosco é perfeitamente possível. Quem já possui essa crença precisa evitar acreditar que se trata de algo próprio de sua Religião. Não é assim. Estamos falando de uma realidade que supera e transcende todas as religiões. Por isso é conveniente desprender-se de todo sentimento de exclusividade religiosa. De imediato, devemos deixar de nos sentirmos privilegiados porque professamos a “verdadeira” religião. Todas as religiões são verdadeiras para seus seguidores e todas são falsas para os demais. A crença que nossa religião é verdadeira e as demais falsas será apenas um obstáculo no caminho do nosso progresso espiritual – e da nossa salvação -, um obstáculo que, mais cedo ou mais tarde, teremos de eliminar.

Os que não acreditam que os Anjos existem – e que eles desejam nos ajudar – deverão adotar essa possibilidade como uma hipótese de trabalho, e pensar que se a existência dos Anjos é real, essa realidade terá de ser muito mais forte que qualquer bloqueio originado por sua incredulidade, e capaz de vencer tal bloqueio e de manifestar-se, senão de uma maneira sensível – dadas as limitações dos nosso sentidos -, com fatos, pois, no fim das contas, são esse que nos interessam. Temos que nos atrever a iniciar uma comunicação com os anjos e lhes pedir ajuda, porém mantendo a mente totalmente aberta, sem querer forçosamente encurralá-los com nossas idéias preconcebidas.

“Peçam, e lhes será dado! Procurem, e encontrarão! Batam, e abrirão a porta para vocês! Pois todo aquele que pede, recebe; quem procura, acha; e a quem bate, a porta será aberta. Quem de vocês dá ao filho uma pedra quando ele pede um pão?   (Mateus 7,7-9)

Fonte: http://thesecret.tv.br/2015/07/como-obter-ajuda-do-anjo-da-guarda/

Baixa hierarquia não é bagunça!

Por Gabriel Notari, HEAD OF DELIVERY AND HEAD OF DEMAND AT THOUGHTWORKS BRAZIL

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Uma coisa boa de se trabalhar em lugares inovadores é que você trabalha com pessoas criativas e conversa sobre assuntos muito interessantes. Numa dessas conversas, falava com uma amiga sobre espanto. Mais especificamente sobre o espanto das pessoas quando vêem nossa sala de videogame. Na verdade a sala não tem nada demais. Pra começar, nem é uma sala fechada: é um sofá de 2 lugares, 2 poltronas, uma TV de 46″ e um videogame em um espaço aberto próximo a cozinha. Mas sempre tem ao menos uma dupla jogando. E toda vez que recebemos algum possível cliente ou parceiro, eles olham aquele ambiente com espanto.

Na verdade é um misto de incredulidade e surpresa, o que é muito engraçado para gente. Sim, é engraçado e curioso ao mesmo tempo pois o espaço *realmente* não tem nada demais. Mas dá pra ver claramente o ponto de interrogação na testa de quem não está acostumado. E todos tem a mesma pergunta. Alguns não a fazem por educação ou vergonha, não sei. Mas outros discretamente indagam “Me diz aí: quem é que manda essa gurizada voltar pro trabalho?”

Ninguém. E essa é a beleza da coisa. Quando se trabalha com pessoas responsáveis, não é necessário mandá-las parar: elas sabem o próprio limite. Eu lidero o escritório de uma empresa onde a hierarquia é bastante baixa, e essa é a realidade. Essa abordagem tem uma série de vantagens, e é baseada em um princípio relativamente simples: mostrar que a empresa confia nas pessoas. Mostrando isso, as pessoas se sentem parte do todo, ficam a vontade para dar sugestões, para agir quando algo está errado, produzem mais e fazem melhor o que tem de fazer. Quais os ganhos? Pessoas felizes, ambiente mais leve e confiança em alta. Isso naturalmente fomenta um ambiente produtivo e criativo, alem de diminuir o desperdício, aumentar a satisfação dos clientes e gerar um maior faturamento. Um bom negócio mesmo se você só pensa em dinheiro (pois afinal, tudo isso gera mais receita).

O problema é que chegar até esse nível não é fácil. É necessária uma disciplina muito grande para fazer isso acontecer, e o acompanhamento tem de ser diário e inserido na estratégia da empresa para que todo o ecossistema funcione. É uma daquelas ações que é fácil de explicar e difícil de fazer.

Mas não é impossível. Uma das estratégias para atingir este nível de maturidade é explicar o raciocínio por trás das decisões. Responsabilidade vale para os dois lados. E se você quer adultos trabalhando com você, deve tratá-los como tais. Inclua as pessoas nos processos decisórios. Só assim elas terão informações suficientes para tomar suas próprias decisões. Isso faz com que decisões sejam mais rápidas e melhores, além de liberar você para se preocupar com outras prioridades.

Outra ação que leva nessa direção é óbvia mas quase ninguém segue: selecionar bem os novos contratados. Ao contratar, procure por perfis que sejam responsáveis e que se encaixem na estratégia da empresa. E o mais importante: resista a pressão de contratar só porque você tem de fechar uma vaga. Cada pessoa desalinhada que entra, mais difícil é mover para uma cultura mais ágil. Ah, e você não vai conseguir isso com aquela consultoria de RH da esquina: é preciso gente boa, treinada e que entenda muito bem o objetivo da empresa.

Por fim, ouça muito. Já notou que a imagem que temos de um sábio é daquele velhinho oriental que deixa todos falarem e depois, pacientemente e em uma única frase, diz tudo que precisava ser dito e muito mais? Então porque você insiste em falar o tempo todo? Ouça as pessoas e considere o que elas falam: reflita a respeito e considere as opiniões nos processos decisórios da empresa.

Com certeza existem outras ações que lhe ajudarão a seguir nesse caminho, mas estas já são um bom começo. Tente aplicá-las e medir o resultado depois de alguns meses. Você verá a diferença que isso faz no seu ambiente de trabalho.

https://www.thoughtworks.com/insights/blog/baixa-hierarquia-nao-e-bagunca

Abençoadas transições

Eu gosto de ter dois empregos. Gosto de trabalhar em um deles pela manhã, almoçar, e gosto, igualmente, do outro emprego. O que eu não gosto é de ir para o outro emprego, que fica do outro lado da cidade. O que eu não gosto é de esperar no ponto de ônibus (especialmente nos dias quentes) pra pegar o transporte público lotado e suar enquanto me encaminho para mais seis horas de trabalho. Percebi que não gosto dessa transição. Me cansa. Os dois trabalhos até que não.

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O mais difícil são as transições.

Não é de fato o término do relacionamento, mas o período de transição, que consiste no período entre os dois extremos de ainda estar apaixonado e ter ocupado o coração com um novo amor. A espera. O autocontrole para não mandar mensagens implorando a volta.

Não é o fato de ter se mudado de cidade. Mas o período de transição, que consiste no período entre os dois extremos de não estar adaptado aos nomes das ruas e ser conhecido pelo garçom do bar da esquina da sua casa.

São as transições que complicam tudo, este período entre duas coisas relativamente estáveis. O período que pode ser definido como “ainda-não”. As semanas seguintes que se seguem às perdas: do ser amado, do emprego, do amigo que foi morar na Europa. Por isso é no entardecer que as pessoas relatam sentir as piores angústias, crises de pânico e ataques de ansiedade. Porque o entardecer é a expressão literal da transição: é o quase-noite e ainda-dia. Temos de suportá-lo, diariamente.

Assim como eu escrevo enquanto estou no ônibus, passando pelos mesmos caminhos de sempre, de uma cidade que já conheço (já reparou como nunca enxergamos como novidade um passeio de ônibus dentro da própria cidade?): trânsito. Transitoriedade. Espera em movimento, porque o tempo nunca para.

Contraditoriamente, são nos períodos de transição que a maioria das coisas nascem – nós mesmos nos descobrimos, nos revelamos. “Não pensei que fosse tão forte”, “nunca imaginei que suportaria”, são frases conhecidas, que já dissemos e/ou escutamos em períodos de transição. Tudo isso porque acabamos por notar uma espécie de força interior que nos abriga nesses momentos. Na transição estamos sozinhos, afastados dos milhares de barulhos e demandas do mundo e das pessoas que nos cercam. E é só assim que podemos (nos) escutar.

A transição nos faz olhar pra dentro. Porque temos que prestar atenção na estrada quando nunca estivemos nela antes. Por isso a maioria dos acidentes acontecem em estradas já conhecidas pelos motoristas. Ligamos o piloto automático e tocamos em frente, sem perceber as sensações, sentimentos e palpitações que o nosso coração cansado sofre.

As transições são incômodas, bem sei. É a mudança recém-feita, são as caixas espalhadas pela sala, o reboco ainda úmido, o aviso de “não toque, tinta fresca” no corrimão. É justamente nesses momentos que podemos escolher uma nova rota, uma nova rua pra chegar ao mesmo destino, um caminho diferente pra lidar com um antigo sintoma.

Na transição somos obrigados a fazer novas redes sinápticas, novas rotas gastronômicas e reconfigurações necessárias à sobrevivência da espécie. Darwin. Somos todos sobreviventes das transições: não dos fins ou dos inícios, mas dos meios. Se sobrevivemos aos infinitos “meios” que a vida nos proporcionou até hoje, é bem provável que toleremos as demais esperas, os demais fins, e assim teremos forças para os inícios, resplandecentes por si só. Bem-ditas sejam as pontes, benditos sejam os momentos em suspenso, bem-vindo o “ainda-não” que a vida impõe. Porque é justamente aí que podemos re-nascer.

© obvious: http://obviousmag.org/palavra_nossa_de_cada_dia/2015/11/abencoadas-transicoes.html#ixzz3sGyRpDMu

Tua mensagem chegou em boa hora…

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Algo não estava bem. Quando isto acontece, você só pensa que precisa dividir o que está contigo. É o choro contido, a fúria que esbraveja, a indignação, o nó na garganta. Você só precisa desabafar, precisa de alguém que lhe junte meia dúzia de palavras, que lhe acalme, que lhe ouça como nem você tem feito, que lhe chacoalhe, que lhe receba.


Aquela notícia chegou. Tão esperada. E você precisa compartilhar e mostrar o quanto está satisfeito com isso. Então, você faz a sua primeira ligação e conta como está em feliz com esta notícia. Do outro lado, um outro coração vibra e de alguma forma, você se sente satisfeito por ter alguém ali do outro lado.


Ele estava me contando sobre a sensação de seu mundo ruir em minutos, de quanto se sentia perdido diante daquilo. Eu só pude escutá-lo. E eu não pude deixar de me preocupar com ele. O momento já não era só dele.


Em quem você pensa nestas horas? Pra quem vão seus pensamentos? Quem te faz pegar o telefone, escrever a mensagem? Quando as coisas se engrandecem ou quando as coisas desmoronam, é nesta pessoa que moram nossas verdadeiras conexões. São os momentos de ápice do nosso mundo que nos trazem sinais reveladores.

“Não é o tempo nem a oportunidade que determinam a intimidade, é só a disposição. Sete anos seriam insuficientes para algumas pessoas se conhecerem, e sete dias são mais que suficientes para outras.” Jane Austen, Razão e Sensibilidade

Há muito tempo, já havia lido outras pessoas relatarem sobre esta sensação em que temos a necessidade de falar, contar, dividir algo importante com alguém. Já me vi nesta situação. Não importa se esta pessoa será sempre a mesma. Se este sentimento é romântico, fraternal ou genuíno. O que importa é que é essencial. Uma conexão emocional, a cumplicidade que não pensa em recompensa, mas quer o bem um do outro tanto quanto o seu próprio bem. Onde a intensidade se sobrepõe a qualquer duração que se venha a ter.

É o ombro e a franqueza do amigo, o olhar incondicional de uma mãe, o abraço de um irmão, o afago daquele que se ama e se acorda ao lado. Não se pode estabelecer. É apenas essencial que tenhamos alguém que ocupe este lugar ali.

“That’s what people do who love you. They put their arms around you and love you when you’re not so lovable.” Deb Caletti

A verdadeira intimidade acontece entre duas pessoas que vencem o medo de se mostrarem emocionalmente como são.

Devemos escutar verdadeiramente o outro para o compreender e não para responder. Mas, na figura daquele que precisa ser ouvido, à medida que libertamos nossas próprias palavras, damos vazão a tudo que estava preso conosco, como se abríssemos a gaiola de nossos pensamentos. Nunca podemos deixar que nossa razão aprisione nossas palavras. A palavra opera milagres sobre si mesma.

“Words are events, they do things, change things. They transform both speaker and hearer; they feed energy back and forth and amplify it. They feed understanding or emotion back and forth and amplify it.” Ursula K. Le Guin

Para Ed Diener, professor de psicologia da Universidade de Illinois, os amigos nos dão um senso de identidade — ajudam a nos tornar algo maior do que nós mesmos e a definir quem somos. Não precisamos somente de relações humanas. Precisamos de amigos muito próximos, diz ele.

A razão da nossa existência passa pelos laços afetivos que asseguram a nossa alegria. É isso que nos preenche. Onde possamos parecer ridículos sem medo, onde tenhamos nossas lealdades não ditas e que transformam a simplicidade corriqueira das coisas que nos cercam.

“Sem humildade e coragem não há amor. Essas duas qualidades são exigidas, em escalas enormes e contínuas, quando se ingressa numa terra inexplorada e não-mapeada. É a esse o território que o amor conduz ao se instalar entre dois ou mais seres humanos.” Zygmunt Bauman, Amor Líquido

Em tempos líquidos, que sentimentos escorrem pelos dedos e podem ser desconstruídos a qualquer momento, em que a tolerância está por um fio, o respeito mútuo é escasso, uma maior sensibilidade nos deve ser requerida para um olhar sobre nossas relações. Precisamos nos cercar de pessoas que nos dêem um senso de identidade, que nos ajudem a definir quem somos, que nos façam encontrar o propósito na vida como um diferencial. Temos que contemplar a simplicidade das coisas em busca de detalhes significativos. As coisas banais, que passam despercebidas, podem gerar uma nova postura diante da vida.

Onde estamos colocando nossa atenção?

“Você não vai entender o que quero dizer agora, mas um dia entenderá: o segredo da amizade, eu acho, é encontrar pessoas que são melhores do que você, não mais espertas, não mais frias, mas amáveis e mais generosas, e mais indulgentes — e você apreciará o que elas podem lhe ensinar, e tentará ouví-las quando elas lhe disserem algo sobre si mesmas, não importa o quão ruim, ou bom que seja, e você confiará nelas, que é a coisa mais difícil de todas. Mas, a melhor também.” Hanya Yanagihara, A Little Life (book)

Damos uma importância enorme a coisa fugazes, ao erotismo, ao romantismo, às conquistas materiais, ao nosso ego que quer ser massageado, a nossa imagem no espelho. Algumas destas realmente merecem atenção, por que não? Mas, elas não são o fim em si mesmas.

A vida é um voo de longa distância e cada um faz a escolha do destino a que se quer chegar.

Não nos desleixemos das nossas relações. Não deixemos que se perca o aconchego que podemos trazer às nossas vidas e de outros. Saibamos entender o que querem dizer nossos impulsos, ao clamar por aquela pessoa que você mais gostaria que estivesse ali a te ouvir num momento crucial.

Tenho pensado que acreditamos que algumas relações estão cristalizadas e que assim que nos encontrarmos de novo, bastará a citação de um velho acontecimento, aquela piada interna, e tudo será reconhecimento. Mas, não devemos esquecer: não podemos descuidar delas.

Muitas relações de ocasião surgem nos nossos dias, no cotidiano, na correria dos nossos compromissos. E sim, essas relações também tem seu papel no meio dessa seriedade do dia-a-dia. Mas, não nos descuidemos daqueles que tem nossa ocasião mais sublime, que nem sempre podem estar conosco, mas que são aqueles que nossa alma clama no primeiro perrengue. Por isso, não nos descuidemos.

“We’ll go where it’s always spring ; The band is playing our song again; And all the world is green” — Tom Waits, song: All The World Is Green (pela melhor música de pirata que já ouvi nos meus dias)

P.S.: Obrigada por ler até aqui! Se você achou válido, clique no íconeRecomendo. Se não curtiu, quer contar a sua história ou tem um ponto de vista diferente, deixe sua mensagem e vamos conversar:  https://medium.com/@luci_inthesky_/tua-mensagem-chegou-em-boa-hora-e552234e11bb#.k4fi2ph1m

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Quem foi Simone de Beauvoir?

SIMONE

Ninguém nasce mulher: torna-se mulher. Nenhum destino biológico, psíquico, econômico define a forma que a fêmea humana assume no seio da sociedade; é o conjunto da civilização que elabora esse produto intermediário entre o macho e o castrado que qualificam o feminino. BEAUVOIR, S. O segundo sexo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1980.

Assista: https://www.youtube.com/watch?v=xL4DG-5o5Uk