A nossa falsa verdade

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Uma vez que em boa verdade os homens apenas se interessam pela sua opinião própria, qualquer indivíduo que queira apresentar uma dada opinião trata de olhar para um lado e para o outro à procura de meios que lhe permitam dar força à posição, sua ou alheia, que defende.
As pessoas servem-se da verdade quando ela lhes é útil, mas recorrem com retórica paixão à falsidade logo que se lhes depara o momento em que a podem usar para produzir a ilusão de um meio-argumento e dar assim, com uma manobra de diversão, a aparência de unificar aquilo que se apresenta como fragmentário.
A princípio, quando me apercebia de tais situações, ficava incomodado, depois passei a ficar perturbado, mas tudo isso suscita-me hoje um prazer malicioso. E prometi a mim mesmo que nunca mais volto a pôr a descoberto esse tipo de procedimentos.

Johann Wolfgang von Goethe – “Máximas e Reflexões”

Fonte: http://www.hierophant.com.br/arcano/posts/view/Lectrice/2052

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Saia de cima do muro!

 

Em cima do muro

Muitas coisas nos causam náusea e uma delas são aquelas pessoas que vivem em cima do muro, pendem para o time que está ganhando. Poucas conseguem abraçar uma causa e estar junto desta, nas vitórias ou nas derrotas. Assim são na política, assim são na sociedade e, muitas vezes, são assim nos relacionamentos. A vida é muito rápida para ficarmos em cima do muro, esperando para decidir, esperando a hora certa que nunca chega, esperando o momento certo que nunca acontece, esperando conhecer a pessoa certa que não existe. É necessário acreditar em destino às vezes, porém existem ocasiões em que realmente é necessário sair de cima do muro, tomar uma atitude e escolher. Um exemplo simples são os relacionamentos, quando assumir algum, assuma de verdade. A melhor mulher que existe é a sua, o melhor homem que existe é o seu, não existem pessoas perfeitas e ideias, todas têm defeitos e qualidades e aprendemos a viver o amor quando conseguimos compreender isto. Não vamos viver nossa vida como covardes, sempre esperando e não agindo. É necessário ter coragem de defender aquilo em que acreditamos, nas horas boas e ruins. O momento certo é agora, esta vida, este dia. Viver carregando peso que não é seu, viver com nós na garganta uma década, apenas atrasa sua vida e lhe prende. A vida é curta para ficarmos sentados em cima do muro, esperando a poeira baixar, o momento ideal chegar, pode ser que este momento dure uma vida. Gosto de pessoas autênticas que criam oportunidades e fazem o momento, saem do anonimato e mostram sua cara. É necessário tomar uma decisão. Nesta vida é necessário aprender a posicionar-se, ter coragem de assumir realmente aquilo em que acreditamos. Decidindo, escolhendo, criamos coragem para enfrentar os obstáculos que temos na vida e ai descobrimos que eles não têm a metade da força que pensávamos que tinham. É necessário saber dosar as escolhas com a razão, mas ficar carregando dúvidas pela eternidade deixa a vida mais pesada. Na incerteza faça o que sente que está certo, dentro de seu coração, aquilo que pulsa e lhe faz acreditar. Devemos apreender escutar mais nosso coração, sempre seremos criticados por esta ou por aquela escolha. Fazendo ou não o importante é estar de bem conosco mesmos e com a consciência de que fizemos ou escolhemos aquilo que acreditávamos ser o correto. O importante é fazer alguma coisa, decidir não ficar sempre em cima do muro. Pense mais alto como Sydney Smith que diz “O maior de todos os erros é não fazer nada só porque se pode fazer pouco. Faça o que lhe for possível”.

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Nem sempre o silêncio é esquecimento

Ao contrário do que possa aparentar, muitas vezes o silêncio tem muito a dizer, carregando em seu aparente vazio uma intensidade tamanha de sentimentos e de carga emocional muito mais significativa do que enxurradas de palavras ou gestos exacerbados. O silêncio pode acalmar, ferir, amparar ou até mesmo violentar, às vezes trazendo paz, outras vezes incitando tempestades – nem sempre o silêncio é pacífico.

O silêncio pode ser revolta, rebeldia, contrariedade contida. Nem sempre estamos prontos para expressar nossos pontos de vista, no sentido de verbalizar o que queremos, o que temos aqui dentro. Assim, mesmo que estejamos discordando de algo, silenciamos, pois nos falta a coragem necessária para que nos libertemos dessa prisão que nós próprios criamos, ou mesmo porque sabemos que qualquer tentativa de diálogo será inútil e cansativa naquele momento.

O silêncio também pode corresponder à reflexão, a um turbilhão de pensamentos pulsando dentro de nós. O pensamento e a fala devem conviver harmonicamente, de forma que um não atropele o outro, colocando-nos em situações constrangedoras. Palavras, após proferidas, não voltam mais, deixando suas marcas, muitas vezes negativas, nas nossas vidas e nas dos ouvintes. Pensar sobre o que se diz é necessário, pois, caso possamos machucar alguém ou a nós mesmos, sem razão, é preferível emudecer.

Às vezes, o silêncio é solidão, é vazio, solitude doída e emudecida. Mesmo acompanhados, ainda que em meio a muitas pessoas, podemos estar solitários, sentindo-nos sem acolhida, sem partilha, sem pertencimento. Como se não fizéssemos parte da vida do outro, como se fôssemos desimportantes, dispensáveis. Perdidos nessa irrelevância emocional, ruímos por dentro, minando nossa autoestima e nossa capacidade de ser feliz.

Outras vezes, o silêncio é desistência. Há momentos em que o mais prudente a se fazer é desistir de algo, de alguém, de tentar convencer, amar, de clamar por atenção e reciprocidade. Certas situações nos pedem que partamos para outra, que canalizemos nossas forças e energias em direção ao que nos trará contrapartida, retirando-nos dos apelos vazios, da mendicância afetiva, pelo bem de nossa saúde física e de nosso equilíbrio emocional.

Silêncio, da mesma forma, pode significar desapego, libertação, livramento de amarras que nos impedem o caminhar tranquilo de nossa jornada. Precisamos nos despedir de tudo aquilo que pesa em nossos ombros, emperrando a visualização serena das possibilidades que nos aguarda o futuro. Temos que serenar a celeridade que intranquiliza os nossos corações, jogando fora bagagens sem as quais conseguiremos viver melhor.

O silêncio, infelizmente, muitas vezes é mágoa, ressentimento, lamentação acumulada. Na impossibilidade de encontrarmos coragem de vivermos nossas verdades por inteiro, de refutarmos o que não nos completa, tampouco nos define, de impormos aquilo em que acreditamos, sufocamos nossos sentimentos mais íntimos sob a infelicidade de aparências condizentes com o que todo mundo espera – exceto nós próprios. Nesses casos, o silêncio é o crepúsculo moroso de nossa existência.

Felizmente, no entanto, o silêncio também pode – e sempre o deveria – implicar felicidade, certezas, convicção e força. Sabermos os momentos certos para calarmos e guardarmos para nós aquilo que pensamos nos salva de problemas dispensáveis com gente que não significa nada na nossa vida. Quando estamos seguros quanto ao que somos, quanto aos nossos sonhos e planos de vida, nenhum barulho é capaz de abalar as nossas verdades, minimamente que seja. Quando o silêncio guarda o que temos de mais precioso, estaremos então caminhando rumo ao alcance de nossos sonhos, para que possamos dividi-los com quem compartilhamos amor de verdade, e com ninguém mais.

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93 Percent Star Dust

We have calcium in our bones, iron in our veins,
carbon in our souls, and nitrogen in our brains.
93 percent stardust, with souls made of flames,
we are all just stars that have people names.
You are not small.
You are not unworthy.
You are not insignificant.

The universe wove you from a constellation just so every atom, every fibre in you comes from a different star.
Together, you are bound by stardust, altogether spectacularly created from the energy of the universe itself.
And that, my darling, is the poetry of physics, the poetry of you.

Don’t ever let other people decide for you who you will be .
You have stardust in your spine and veins that flow with galaxies.
A whole universe resides inside your body.
And no one dares to tell a universe what it can and cannot be.
Some people are born with tornados in their lives,
but constellations in their eyes.
Other people are born with stars at their feet,
but their souls are lost at sea.
Your body was designed to contain a cosmic storm.
It is no wonder that sometimes your head and heart
hurt so much that you may just explode.
It takes a nebula,
a cosmic storm of epic proportions falling apart to create a star.
So be easy on yourself.
You are a storm in transition,
even as these words are being written.
You are made of planets and oceans and no one owns them.
Just like no one owns you.
The 13 billion year old atoms that make up the seas
are the same that run through the bodies of you and me.
Our bodies were made to house oceans of galaxies,
and our souls are rivers that have flowed through centuries.
There are two kinds of people who look at the night sky.
Those that look up and see a graveyard of stars.
And those that look up and see a sea of souls,
shining brightly to guide us home.

Não há amor, nem felicidade, nem paz onde se cultiva sentimentos ruins

Procurando-o-amor-300
Por Viviane Battistella - 30 out, 2015

As duas amigas conversavam enquanto engoliam o sorvete; blasfemando sobre o pecado calórico que estavam cometendo. Elas eram bonitas e caberiam perfeitamente em qualquer calça jeans número trinta e oito. Tinham uns trinta e poucos anos.

— Eu não sei o que acontece com ela! A vida dela é toda perfeita! Ela nunca passou por nada de ruim na vida. Sempre foi a boazinha. Agora se casou, teve uma filhinha. Nunca sofreu, sempre namorou esse cara e agora vivem super felizes.

—Ai, eu queria um amor assim, que ódio! Ontem nem fui à academia para não ter que olhar para a cara daquele imundo. À noite, tomei duas doses de vodca para dormir.

— Ódio eu estou da minha chefe, gorda, desgraçada. Acha que eu sou estagiária. E meu pai ainda vem me dar lição de moral quando eu reclamo do trabalho. Só porque está me ajudando a pagar a pós. Preciso arrumar um homem urgente, amiga, para me tirar dessa vida…

— Eu também, tô muito carente, acho que hoje à noite vou chamar o…

— Não faça a burrada de sair com aquele Buda! Tá louca? Barrigudo, mala, metido a artista. Olha para você, toda linda! Um cara que sai de chinelo para a rua”, para mim não serve.

Se fossem ali questionadas, elas certamente diriam que procuram e querem um amor. Querem amar, querem ser amadas. E sabem qual a única razão pela qual não estão “superfelizes” como a “amiga” a que se referem? Por uma questão de espaço.

Dois corpos não ocupam o mesmo lugar, regra básica da física, que serve também para o amor. Não há amor, nem felicidade, nem paz onde se cultiva e se prolifera o ódio, a inveja e o preconceito. Sem demagogia, o discurso delas é comum e poderia ter sido de qualquer uma de nós; todavia, o discurso vem do pensamento e o pensamento é que rege as nossas ações. E então vem a pergunta: como o amor pode chegar a elas?

Em meio à correria dos sorvetes engolidos sem “tesão” algum, num mundo onde as academias são os únicos lugares para que seres da espécie humana se entreolhem e se escolham, há pouco espaço para o amor. O ódio, a inveja e o narcisismo adoeceram a raça humana, que parece ter se esquecido dessa necessidade tão básica que temos do afeto.Não há como amar, tampouco ser amado, quando as suas ações são regidas por sentimentos que o afastam o tempo todo. Um olhar de ódio para tudo e para todos leva a um vício: o de reclamar. Se nada for bonito, encantador, terno e apaixonante, a vida será sem graça, é óbvio. O amor precisa de espaço para entrar, para chegar. Precisa de portas abertas, de olhar calmo, de leveza, de paixão, de sorrisos e, se houver arte, se houver música, vai ser mais fácil.

Antes dos 18 anos, meninas riem das amigas “ainda” apaixonadas; elas buscam por curtidas, por comentários, xavecos virtuais e por serem desejadas, para que, aos 30, estejam como as protagonistas do início desse texto — infelizmente, cheias de ódio, de desesperança, impregnadas por uma incapacidade de deixar que algo bom saia de suas bocas. Reclamam o tempo todo, odeiam, invejam, xingam e acreditam piamente que, um dia, vão encantar alguém.

As pessoas estão perdendo o encanto e o tesão: pela vida, por nós mesmos e, claro, pelo outro. Sem amor, adoecemos — Buda, Cristo, a mitologia grega e a psiquiatria já provaram isso. Odiar é um vício que se alastra, é feito uma bactéria que se procria em todo o ser da espécie humana.

Talvez o amor seja a única salvação, talvez seja a única coisa que realmente valha a pena na vida, mas ele se tornou um estranho para muita gente. Uma grande parte das pessoas não o conhece, nunca o viu — tornou-se solo infértil para ele, parece criar um campo magnético de repulsa ao afeto, exatamente por estar impregnada pelo seu oposto — o ódio.

Da citação de coríntios ao dizer que “sem amor eu nada seria” até os Estúdios Disney terem finalmente mostrado que o beijo de amor pode ser até entre duas irmãs, a humanidade tem sido — o tempo todo — “avisada” sobre como proceder para ser feliz. O trânsito, a política, os seus pais e a sua chefe não seriam problema se houvesse mais amor e o tão sonhado amor para toda a vida seria uma realidade se simplesmente nos dispuséssemos a cultivá-lo. Há apenas um único obstáculo, o ódio, e ele pode estar atrapalhando. Vire a chave, experimente amar mais; se funcionar, escreva-me contando — eu adoro histórias de amor.

Original: http://www.contioutra.com/so-leia-se-estiver-procurando-um-amor/#ixzz3wl9iWL3v