O efeito borboleta que carregamos

1-bicLWALUv3nWsJiXJlPxhA

Estou saindo de casa e ao chegar à rua, noto que o tempo está mudando. Talvez chova ainda pela manhã, ou com certeza, no começo da tarde. Isso me faz retornar e pegar uma blusa e o guarda-chuva, que não levava comigo. Essa pequena mudança, que pode ter levado menos de dez minutos, me fará pegar um trânsito intenso, já que é próximo das oito da manhã. Provavelmente, cruzarei com pessoas diferentes das que cruzaria alguns minutos antes. Posso chegar atrasada para uma reunião e causar o julgamento de outras pessoas sobre minha suposta falta de comprometimento, ou até, perder a oportunidade de opinar diante de uma decisão importante, num momento que tanto esperava.

A decisão de me agasalhar e me proteger da chuva me levou a uma nova trajetória, uma rotina diferente da que havia imaginado para aquela manhã. Talvez, sem grandes efeitos. Talvez…


Trabalho capacitando pessoas, aproximando-as das tecnologias que o mercado de tecnologia da informação demanda. O processo para que as pessoas sejam selecionadas e iniciem o treinamento, já deixa os menos preparados para trás. Para aqueles que estão mais bem preparados, cabe a dedicação e comprometimento com a capacitação que lhes será oferecida. Durante o treinamento, é comum que um novo curso para uma linguagem de programação seja aberto, mas com vagas limitadas e concorridas. Assim, um novo processo de seleção se faz necessário. Sabe-se que na área de tecnologia, o inglês é a base para a comunicação, sendo tão importante dominá-lo, quanto dominar as habilidades técnicas.

Uma das alunas, uma das mais interessadas, não consegue se destacar no idioma e é eliminada na seleção. No dia seguinte, ela pede uma nova chance. Pretende se preparar novamente para a entrevista em inglês. Sua fala me faz debater com os demais responsáveis e convencê-los que ela, realmente está comprometida e disposta a refazer a entrevista em inglês. A data é reagendada. A aluna é aprovada e inicia o curso de Java, a linguagem que tanto queria. A partir desta oportunidade, outros sonhos foram desencadeados. Ela conclui seu mestrado na área de tecnologia e ingressa para um doutorado sanduíche em Londres, onde ela pode novamente, desenhar seu destino.

O que teria acontecido, se a aluna, simplesmente, tivesse desistido? Se o apelo da aluna não fizesse sentido e não nos levasse a dar a ela, uma segunda chance? Se determinássemos, que só se pudesse tentar uma vez, esquecendo todos os medos e inseguranças, que rondam uma pessoa num processo como este?

O bater de asas de uma borboleta no Brasil pode desencadear um tornado no Texas. Frase que define o que os pesquisadores chamam de “efeito borboleta”, expressão utilizada na Teoria do Caos.

Esse é o efeito borboleta, que ocorre todos os dias em nossas vidas. Uma pequena mudança em nossas ações e um destino pode ser mudado. Podemos desencadear eventos imprevisíveis ou consequências desconhecidas para o futuro, tragédias incalculáveis para terceiros e para nós mesmos, o caos, e por que não, o bem?

Caos, do grego khaos: abismo, vazio, o que se abre largamente. No mito de Caos, a desordem uniu-se à noite para criar o destino, que dizem ser cego. O destino não sabe o que está em sua frente, mas sabe o que vem pela frente. Deus primordial, o Caos está na vida das pessoas que se esquecem de viver bem o presente para criar melhor o seu futuro.

Toda escolha é uma renúncia e toda escolha traz uma consequência. Desde o acordar, fazemos escolhas. Somos frutos das nossas escolhas, das escolhas alheias, do meio em que vivemos, da imprevisibilidade do minuto seguinte. Estamos a todo momento afetando a nossa vida e a de outros com nossos atos.

“Adoramos o caos porque sentimos amor em produzir ordem.” — M.C.Escher

O dia a dia, a rotina, o cotidiano, nos rouba esta clareza diante da vida, tão incerta, tão passageira.

Se nos dermos conta das pequenas contribuições que podemos fazer, o que iremos escolher pra desencadear os próximos acontecimentos? As vontades de nosso ego? Uma indiferença? Um julgamento? Uma intuição? Um sorriso? Um olhar de agradecimento?

Diante de tamanha imprevisibilidade, da desordem que não podemos controlar, há um momento em que está em nossas mãos como podemos iniciar um ciclo, como podemos transformar um contexto.

Podemos atrair a energia daquilo que pensamos, sentimos e fazemos. Podemos nos transformar em um campo de vibrações, praticar a empatia, mudar a rota quando preciso, fazer parte da criação do nosso caminho. Podemos despertar a nossa percepção e não nos tornarmos indiferentes ao que ocorre ao nosso redor. Despertarmos a consciência coletiva, entendermos nossas conexões mais profundas e tornar-nos mais humano.

No final, apenas três coisas importam: o quanto você amou, o quão gentilmente viveu e o quão graciosamente você deixou ir as coisas que não têm significado. (Apesar de algumas atribuições ao budismo, o autor é desconhecido)

Nós não precisamos ser a mudança que queremos ver no mundo. Nós só precisamos tentar, da melhor forma possível, ser a mudança nas nossas próprias vidas e possivelmente, nas de quem nos cerca. E quem sabe, o efeito borboleta cuide do resto.

P.S.: Obrigada por ler até aqui! Se você achou válido, clique no ícone Recomendo. Se não curtiu, quer contar a sua história ou tem um ponto de vista diferente, deixe sua mensagem e vamos conversar:  https://medium.com/@luci_inthesky_/o-efeito-borboleta-que-carregamos-8c8b0a12ed88#.n87t80frq

Anúncios

Tchau, passado

Por mariliz pereira jorge

18296711_scAKP

Parece que foram umas 150 caixas. Minha vida em 150 caixas. Mudar de casa é fazer terapia intensiva e forçada. Sem ninguém sentado em frente, ao lado ou atrás para dizer que não é o fim do mundo, mesmo que pareça ser.

Não é o fim do mundo, mas é virar mais uma página da vida. A gente não fecha só a porta, mas também um ciclo. Deixa para trás um punhado de roupas datadas, sapatos velhos, panelas gastas, móveis surrados, guarda-chuvas quebrados e uma mala de emoções. Deixa também um pouco do que a gente não é mais.

Em cada armário desfeito uma sessão de tortura. Em cada caixa aberta uma sessão de vergonha. Em cada prateleira vazia uma sessão de descarrego. Em cada gaveta vasculhada uma nostalgia da boa.

E chora. E ri. E tem saudade. E sente alívio. E fica triste. Depois feliz de novo. E o estômago embrulha. E desembrulha.

Quando a gente muda de casa não engole só pó. Engole todos os erros e tropeços em fotografias antigas, cartas de amores falidos, roupas equivocadas, livros não lidos, objetos desnecessários, equipamentos que não funcionam mais.

Deixa para trás um punhado de lembranças boas, de tempos que não voltam mais, ainda que os novos tempos produzam mais lembranças que serão felizes no próximo futuro.

Ainda ontem eu morava sozinha. Mas quem padecia de solidão era a geladeira. Tinha água com gás, iogurte, gelo e cerveja. Um fogão italiano que brilhava como novo por falta de uso. Uma TV que estava sempre desligada. Uma cama onde eu dormia pouco e me divertia muito.

Eu era solteira, era feliz e sabia disso. Mas também sabia que um dia aquela casa não seria mais minha e nem aquela vida.

Ainda ontem, eu já não era apenas mais eu. A gente se apertava na cozinha pequena, fazia maratona de série de TV, comia sorvete no inverno, brigava pela mesa do escritório, dormia agarrado –socorro, acordava com o vento uivando, viajava sem parar. As plantas sempre morriam.

Com essa mudança vem nossa coleção de action figures, 20 caixas de utensílios de cozinha, uma girafa da Tailândia, outra de Jericoacoara, duas bicicletas, dois computadores, trocentos livros, trocentas revistas em quadrinhos, quadros, quadros, quadros.

Mais importante de tudo: nessa mudança de casa vem um casamento sólido, feito de muita trombada, muita paciência, uma tonelada de amor e amizade.

‘A gente’ foi a melhor coisa da minha vida nos últimos anos e na última casa. Passei a conjugar ‘a gente’ 24 horas por dia e nunca fui tão feliz.

Na nova casa, sinto como se estivesse no primeiro dia de um trabalho novo. Não sei onde fica a impressora, a máquina de café, se os vizinhos de baia são fofoqueiros, se tem um restaurante por quilo decente, se consigo uma manicure boa por perto.

Sinto como se fosse uma estranha fazendo uma visita. Nas primeiras noites acordei sem saber onde estava, tive que acender a luz do celular para achar o banheiro, dei cinco topadas nos armários até chegar lá.

Levei um banho da torneira da pia, não sei onde acendem as luzes, paguei peitinho e bundinha para geral na vizinhança, coloquei o lixo comum junto com o reciclado, derrubei água na varanda da vizinha, que já me odeia, mas fiz amizade com o porteiro, que é o que realmente importa.

Mudar de casa não é apenas levar suas coisas de um lugar para o outro. A gente tem que desencaixotar as bugigangas e também as emoções. Só vira casa quando nossos velhos cacarecos parecem à vontade com essas paredes pintadas e esse chão novinho. Quando o sono começa a dormir sem sustos. Quando a gente vai ao banheiro à noite sem tropeçar no escuro. Quando a gente olha mais para frente do que para trás.

Fica mais fácil mudar de casa quando a gente está pronto para mudar também.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/marilizpereirajorge/2015/10/1700048-tchau-passado.shtml?cmpid=fb-uolmul

Há algo de grandioso acontecendo no mundo

mundo

Ainda não nos demos conta de algo extraordinário que está acontecendo.

Há alguns meses, me descolei da sociedade, me libertei das amarras e medos que me prendiam ao sistema. E desde então, passei a ver o mundo sob uma diferente perspectiva. A perspectiva de que tudo está se transformando e a maioria de nós sequer se deu conta disso.

Por que o mundo está se transformando? Nesse post vou listar os motivos que me levam a acreditar nisso.

1- Ninguém aguenta mais o modelo de emprego

Cada um está chegando no seu limite. Pessoas que trabalham em grandes corporações não aguentam mais seus empregos. A falta de propósito começa bater à porta de cada um como um grito de desespero do peito.

As pessoas querem sair. Querem largar tudo. Veja quantas pessoas tentando empreender, quantas pessoas tirando períodos sabáticos, quantas pessoas estão em depressão no trabalho, quantas pessoas em burnout.

2- O modelo do empreendedorismo também está mudando.

Há alguns anos, com a explosão das startups, milhares de empreendedores correram para suas garagens para criar suas ideias bilionárias. A glória dos empreendedores era conseguir um investidor. Grana do investidor na mão era praticamente a taça da copa do mundo.

Mas o que acontece quando você recebe um aporte de investidor?

Você volta a ser um funcionário. Você tem pessoas que não estão alinhadas com seu sonho, que não estão nem aí para seu propósito e tudo passa a girar em função do dinheiro. O retorno financeiro passa a ser o principal driver.

Muita gente está sofrendo com isso. Excelentes startups começaram a patinar porque o modelo de buscar dinheiro nunca tem fim.

É preciso uma nova forma de empreender. E tem muita gente boa já fazendo isso.

3- O surgimento da colaboração

Muita gente já se ligou que não faz sentido ir sozinho. Muita gente já acordou para essa loucura que é a mentalidade do “cada um por si”.

Pare e pense friamente. Não é um absurdo, nós que somos 7 bilhões de pessoas vivendo no mesmo planeta, nos separarmos tanto? Que sentido faz, você e as milhares (ou milhões) de pessoas que vivem na mesma cidade virarem as costas umas para as outras? Cada vez que começo e pensar nisso, fico até desanimado.

Mas felizmente as coisas estão mudando. Todos os movimentos de economia colaborativa estão apontando nessa direção. A direção da colaboração, do compartilhamento, da ajuda, de dar as mãos, da união.

E isso é lindo de se ver. Até emociona.

4- Estamos começando finalmente a entender o que é a internet

A internet é uma coisa incrivelmente espetacular e somente agora, depois de tantos anos, estamos conseguindo entender o seu poder. Com a internet, o mundo se abre, as barreiras caem, a separação acaba, a união começa, a colaboração explode, a ajuda surge.

Alguns povos fizeram revoluções com a internet, como a Primavera Árabe. Aqui no Brasil estamos começando a usar melhor essa ferramenta magnífica.

A internet está derrubando o controle de massa. Não tem mais televisão, não tem mais uns poucos jornais dando as notícias que querem que a gente leia. Cada um vai atrás daquilo que quer. Cada um se une com quem quiser. Cada um explora o que quiser explorar.

Com a internet, o pequeno passa a ter voz. O anônimo passa a ser conhecido. O mundo se une. E o sistema pode quebrar

5- A queda do consumismo desenfreado

Por muitos anos fomos manipulados, estimulados a consumir como loucos. A comprar tudo que era lançado, a ter o carro mais novo, o primeiro iphone, as melhores marcas, muita roupa, muito sapato, muito muito, muito tudo.

Mas as pessoas já começaram a sacar que isso tudo não faz sentido. Movimentos como o lowsumerism, slow life, slow food, começam a aparecer pra mostrar que nos organizamos da forma mais absurda possível.

Cada vez menos gente usando carro, cada vez menos pessoas comprando muito, cada vez mais gente trocando roupas, doando, comprando usado, dividindo bens, compartilhando carros, apartamentos, escritórios.

A gente não precisa de nada disso que falaram que a gente precisava.

E essa consciência quebra qualquer empresa que vive do consumo desenfreado.

6- Alimentação saudável e orgânica

A gente era tão louco que aceitou comer qualquer lixo. Era só ter um sabor gostoso na língua que beleza.

A gente era tão desconectado, que os caras começaram a colocar veneno na nossa comida e a gente não falou nada.

Mas aí um pessoal começou a acordar e começaram a dar força pro movimento de alimentação saudável, de consumo de orgânicos.

E isso vai ganhar força.

Mas o que que isso tem a ver com economia e trabalho? Tem tudo a ver!

A produção de alimentos é a base da nossa sociedade. A indústria alimentícia é uma das principais do mundo. Se a consciência muda, se nossa alimentação muda, a forma de consumo muda, e as grandes corporações precisam acompanhar essas mudanças.

O pequeno produtor está voltando a ter força. As pessoas começando a plantar sua própria comida também.

E isso muda toda a economia.

7- Despertar da espiritualidade

Quantos amigos você tem hoje que fazem yoga? E meditação?

Quantas pessoas faziam isso 10 anos atrás?

A espiritualidade por muitos anos era coisa do pessoal do esoterismo. Era coisa de gente esquisita do misticismo.

Mas felizmente isso está mudando. Chegamos no limite da nossa racionalidade. Pudemos perceber que só com a mente racional não conseguimos entender tudo que se passa aqui. Tem mais coisa acontecendo e eu sei que você quer entender.

Você quer entender como essas coisas que acontecem aqui funcionam. Como a vida opera, o que rola depois da morte, o que é essa parada de energia que tanto falam, que que é física quântica, como é que os pensamentos podem se materializar e criar nossa realidade, o que são as coincidências e sincronicidades, por que quem medita é mais tranquilo, como é possível curar com as mãos, e essas terapias alternativas que a medicina não aprova, mas funcionam?

Empresas promovendo meditação aos funcionários. Escolas ensinando meditação para crianças.

8- Movimentos de desescolarização

Quem criou esse modelo de ensino? Quem escolheu as matérias que você precisa estudar? Quem escolheu os temas que são estudados nas aulas de história? Por que não nos ensinaram sobre outras civilizações antigas?

Por que uma criança deve aprender a obedecer regras? Por que ela deve assistir a tudo em silêncio? Por que ela deve vestir uniforme?

Prestar uma prova para provar que você aprendeu?

Criamos um modelo que forma seguidores do sistema. Que prepara pessoas para serem seres humanos ordinários e medianos.

Mas felizmente também, tem muita gente trabalhando para mudar isso. Movimentos de desescolarização, hackschooling, homeschooling.

Talvez você nunca tenha pensado nisso e esteja em choque com o que estou colocando aqui.

Mas tudo isso está acontecendo.

Silenciosamente, as pessoas estão acordando, se dando conta da loucura que é viver nessa sociedade.

Olhe para todos esses movimentos e tente pensar que tudo está normal.

Eu acho que não está.

Há algo de muito extraordinário acontecendo no mundo.

— — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — -

Esse post foi uma mistura de muita coisa que eu acredito e nos próximos textos aqui vou compartilhar mais dessa visão e também dividir com vocês tudo o que eu e meus amigos estamos fazendo para criar um novo modelo, um novo sistema e quem sabe ajudar a criar uma nova economia.

Fonte: https://medium.com/@gutanaka/h%C3%A1-algo-de-grandioso-acontecendo-db8120e49c9f

QUEM MANDA NISSO TUDO AQUI SOU EU!

Você está caminhando na sua própria romaria. Um pé depois do outro. Tropeça. Cai. Levanta. De olho na estrada, nos carros, nas formas das nuvens. Dias de sol, por vezes nublado, e as fases da lua acompanhando os seus ciclos mais íntimos. Esse é o lado A da vida; o previsível, a rotina — segura, porém monótona. Os sapatos tão moldados aos pés já se acostumaram com a andança automática. É como um roteiro sem clímax.

Então, no ínterim da jornada, chega um beija-flor saracoteando as asas bem na sua frente, te agraciando com uma majestosa rodopiada. Se despede com a mesma molecagem da chegada. Coisa mais linda de ver!

Alguns passos mais a frente desaba uma tremenda chuva, expurgando cada gota de cansaço, cada poro de desesperança. Chega para embeber o corpo mole e tirar da boca o sabor amargo da solidão. Estrondosa e revigorante ela lava o rosto e a alma empoeirada, alivia aqueles pés cansados e te faz sorrir o sorriso do bálsamo. Senhores. Apresento-lhes o lado B. Que tira do prumo, e de tão adventício faz da história individual um roteiro, agora sim, de Woody Allen!

Surpresas na vida são como caixinhas de tesouro que encontramos no meio do percurso. São mimos que presenteiam o nosso interior brindando o âmago de pura alegria! E toda vez é a mesma coisa! Porque, como milagre, ela não liga para avisar que vai chegar, nem bate na porta. Simplesmente chega. Varrendo o pó, tirando o fôlego, enchendo o peito de novos ares. Esse é o grande barato!

Mas não se engane porque nem todo mundo se deixa seduzir pelo inesperado. Há quem prefira viver sem sobressalto e ao mais homogêneo sinal de euforia se encerra em suas mazelas emocionais feito casulo. Pessoas assim não são capazes de sentir o arrepio, a palpitação, o orvalho nos olhos. Falta sensibilidade — talvez seja um bloqueio — de permitir surpreender-se por deliciosas carícias na alma.

Ganhar flores num domingo pela manhã, escutar no rádio aquela música que embalou o primeiro namoro, receber o telefonema inesperado de um amigo que está do outro lado do mundo! Um perdão que já estava perdido, um amor novo com ar de antigo. A flor que brota de um dia para o outro, o livro que chegou pelo correio antes do prazo. São essas grandiosas e singelas surpresas que nos tiram da peregrinação e dão um novo significado à vida.

É como estar deitado numa rede, em estado de letargia, e uma criança pulasse no colo com suas pequeninas mãos meladas e seus beijos babados de caramelo! Quando isso acontecer, ao invés de cerrar os olhos e fingir de morto, por que não iniciar uma batalha de cócegas e gargalhadas? Afinal, que manda nisso tudo aqui sou eu! A vida é minha, é sua, é dele, e por que não decidir por ser feliz, assim, de supetão?

Felicidade está mesmo na simplicidade da vida, em deixar a corda meio frouxa de propósito para que barco chacoalhe e mude a direção de acordo com o vento. Quando isso acontece começam a voar as tais borboletas na barriga, o coração bate tão forte que parece sambar aqui dentro, as mãos suam e o sorriso alarga.

Que graça teria o nosso filme se não fosse a troca de figurino, arrumar e desarrumar o cenário, mudar os planos, as tomadas? Editar as cenas, as passagens? Brincar com efeitos especiais! Ah, e a trilha sonora? A minha seria de Chopin a Marvin Gaye!

Às vezes esperamos tanto da vida, escrevemos e apagamos vários scripts. Uma sinopse depois da outra. Planejamos e projetamos abrir inúmeras portas. E nesse jogo você anda uma casa, volta duas, avança três. De tão obcecado pela saída não percebe quando uma janela se abre.

O inesperado tem o poder de transformar a noite em dia, uma segunda-feira em sábado! Basta abrir os canais dos sentidos. Sentir a brisa que sopra um perfume novo. Se entregar à emoção do inédito.

Porque não há tempo que volte, amor. Vamos viver tudo que há pra viver. Vamos nos permitir!