5 mentiras que nos mantém presos em nossas zonas de conforto

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Existe uma lenda muito antiga que diz que um rei foi presenteado com duas aves muito raras e belas, falcões. De imediato, contratou alguém que fosse capaz de treiná-los, passado alguns meses, verificou que uma das aves era bem educada, mas não sabiam o que se passava com a outra. Desde que tinha chegado ao palácio, permanecia intacta no mesmo galho, o rei muito preocupado chamou diversos especialistas, nada aconteceu. Então, criaram uma recompensa para quem conseguisse fazer o falcão voar, na manhã seguinte, o rei viu o pássaro voando em seus jardins. Se enchendo de felicidade, o rei ordenou que trouxesse o dono do milagre, apareceu diante de si um simples camponês. Se enchendo de orgulho, o rei começou a questionar qual havia sido o feitiço que fizera àquela ave tão preguiçosa para voar. Com uma enorme simplicidade, mas carregada de sabedoria, o camponês respondeu que apenas havia cortado o galho, assim o pássaro foi deixado sem nenhuma alternativa, senão levantar voo. O que podemos tirar de proveito da história, às vezes, é essencial que permaneçamos em nossas zonas de conforto para que possamos recarregar as nossas energias, a fim, de iniciar uma nova etapa. Entretanto, permanecer estacionados faz que não se perceba o quão longe poderíamos chegar. Desenvolver a capacidade de sair de nossa zona de conforto, de forma consciente a fim de que se possa atravessar novos horizontes, realizar sonhos é que nos tornará diferentes perante ao resto do mundo. É o que nos permitirá poder saborear novas experiências que, mais cedo ou mais tarde, darão contorno, cor, textura e sabor ao nosso cotidiano. Para entender a zona de conforto, podemos imaginar dois círculos um pequeno dentro do maior. O menor representa tudo àquilo do qual estamos acostumados, nossas manias, nossas rotinas. O que parece, muitas vezes que a zona de conforto é o grande círculo, tudo parece amplificado, mas isso é apenas uma projeção pela permanência dentro deste círculo, o que nos amarra ali pelo simples fato de termos medo de descobrir o que acontece se conseguirmos descolar de nossas amarras mais profundas. Com isso, a zona de conforto limita, não permite descobrir algo novo. Há um círculo maior, este é recheado pelo desconhecido e também por novos sonhos, novos planos, novas ideias que ficam muitas , “ engavetadas” pelo medo. O novo e maior circulo é também a área de novas aprendizagens, onde ocorrerá a ampliação da consciência, das fronteiras e dos sentidos. Para muitos de nós saltar do nosso pequeno circulo em direção ao grande círculo é extremamente ameaçador. Não sabemos o que iremos encontrar, com isso, acionamos o nosso “ botão de auto sabotagem” que faz que fiquemos estagnados assim como o falcão da fábula, só sairemos dali se formos obrigados. Com isso há cinco mentiras que contamos a nós mesmos que faz que fiquemos presos em nossas zonas de conforto.

1. “Eu não tenho motivação para fazer”

É confortável permanecer na nossa “ caixinha”, abraçando nossos monstros, cultivando nossas minhocas mentais, criando mais fantasmas e carregando malas abarrotadas de memórias e anseios. Com isso, damos combustível ao medo, sem perceber que não iremos crescer. Estar em crescimento não se percebe apenas pela passagem do tempo, mas pela quantidade de desafios que vamos superando todos os dias. Toda vez que somos convidados a fazer algo novo, automaticamente uma voz diz que vamos fracassar e que é melhor não tentar, uma parte vem do medo à mudança, um desejo de ficar dentro dos limites do que nos é familiar. Mas se parar para pensar que é uma gigante estupidez, não tentar, ao menos realizar algo novo, pelo menos tente, e não se gostar do resultado, tente de novo, você ganha experiência e sempre aprenderá alguma coisa.

2. “Não é o momento certo”

Não existem momentos ideais, pessoas perfeitas e expectativas que não serão frustradas. Se você ficar esperando o momento ideal será como tentar remar em um barco a motor ou tentar aprisionar todo o vento e uma bola de sabão. O ativador do medo é o pensamento que nos conduz a perseguir o momento certo e nos paralisa de agir. Temos medo de fracassar e isso nos acompanha ao longo de toda nossa existência, mas temos que arriscar um pouco para conseguir algo. Sempre existirão os prós e os contras, mas para voar é preciso começar com pequenos passos. Traçar metas reais para evitar grandes frustrações, mas lembre-se sempre teremos expectativas frustradas, desejos não realizados, pessoas que nos desapontarão e aceitar isso é ter consciência que existe a imperfeição dentro e fora de si, com isso fica mais fácil aceitar os percalços do caminho e conseguir arriscar com menos amarras. Quando nos dermos conta, estaremos caminhando rumo aos nossos sonhos.

3. “Vou começar quando”

Esse pensamentos de quando vamos começar é o que nos mantém enlatados em nossas zonas de conforto. É como esperar a segunda-feira para começar uma dieta, esperar parar de chover para caminhar, não estamos desistindo de nossos projetos, mas estamos os deslocando para que a situação ocorra quase por um milagre ou mágica. A desculpa de quando começar alimenta a nossa procrastinação, pode ser que as coisas realmente ocorram por pura sorte, assim iremos adiar cada vez mais as nossas ações. Procrastinar é uma forma de manter a esperança acesa, mas não estamos de fato pondo a mão na massa e trabalhando duro. A hora de começar é agora mesmo, comece a dieta no sábado, comece a cortar aos poucos o açúcar em excesso assim como o excesso de mágoa e ressentimento nas relações, se estiver chovendo vá pular em poças d’ água, se estiver em um barco sem motor reme o máximo que puder, mas não deixe para depois o que pode começar a ser feito hoje. O que a gente espera são soluções imediatas já que a todo momento somos bombardeados pelo imediatismo, mas tempos que ter consciência que é muito melhor começar aos poucos do que ficar a vida inteira esperando o melhor momento.

4. “ Não é para mim”

Achar que algo não é para nós é como alimentar doses de que não somos capazes ou bons o suficiente. Uma desculpa perfeita para diminuir nossa autoestima, também muito usada para quem têm medo do mundo e se fecha para novas experiências. O velho ditado que diz que devemos provar o gosto antes de dizer que não gostamos, só iremos saber se somos hábeis para algo se realmente tentar. Pare de se fechar para o novo, assim como para as pessoas, o máximo que pode acontecer é você não gostar ou ter que desenvolver novas habilidades, ou seja, tente ao invés de ficar reclamando e assumindo que algo não é para você ou que determinadas pessoas ou grupos não combinam. Você pode se surpreender com novos estilos musicais, novos destinos de viagens, novos visuais de roupa, pessoas que você julgava não combinarem com o seu estilo A vida é uma mistura de aleatórios, é que preciso parar de inventar desculpas e começar a conhecer o que muitas vezes esteve ao nosso lado uma vida inteira, mas estávamos fechados e submissos em nosso preconceitos.

5. “ Eu não sei como fazer”

O novo pode assustar, com isso, criamos empecilhos que mais uma vez fazem que fiquemos estacionados em nossas zonas de conforto. Até podemos pensar que não temos habilidades, mas podemos desenvolvê-las e até mesmo começara gostar; pode ser que leve um tempo, pode ser que tenhamos que treinar, pode ser que precisemos de aula. Se dispa da vergonha de pedir ajuda, lembre-se que nenhuma habilidade vem do além, em nossa essência temos paixão e esforço suficiente para realizarmos o que almejarmos. Então tente algo novo: dance, cante, aprenda uma nova língua, comece um processo de psicoterapia, enfim viva. O máximo que vai acontecer é levar um tempo para desenvolver algo ou se não for da maneira esperada, tente outra coisa ou se quiser de verdade, continue tentando. Mas tenha sempre em mente que ficar estacionado na zona de conforto será como passar a existência inteira observando a paisagem pela janela de um trem, tudo parecerá um tanto embaçado e confuso já que estaremos apenas observando ao invés de viver.

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Seja mais você

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Antes de se comprometer com qualquer pessoa ou causa, é melhor conhecer a si mesmo para tomar boas decisões na vida

Por Sally Kempton      Tradução: Greice Costa      Fotos: Ilustração: Heitor Yida

Eu estava nos meus 30 anos antes de encontrar algo que realmente valesse a pena para me comprometer. Até então, eu era o tipo de pessoa que sentava no fundão da sala, perto da porta, caso quisesse sair. Quando me casei, manipulei os votos de maneira que não houvesse menção ao “até que a morte nos separe”. Como tantas pessoas nessa fase, fiquei esperando algo que valesse a pena para me jogar de cabeça de todo o coração.

Quando encontrei, minha vida mudou tão radicalmente que às vezes imagino que já tive duas vidas. Uma, como meio buscadora e vivendo superficialmente em jornalismo e monogamia séria. A outra, como uma praticante espiritual séria, focada. Monja, discípula, professora. A diferença entre as duas vidas é o compromisso total: primeiro para com meu próprio desenvolvimento espiritual. Segundo, para com um professor específico e para com meus votos de monja e, finalmente, para com o servir à verdade.

O compromisso com o meu professor foi o mais dramático. Ele me rasgou da cultura do meu estilo de vida de vanguarda no eixo Nova York-Califórnia. Mergulhei em uma cultura devocional de ashram em que as disciplinas e protocolos eram radicalmente estranhos. Nada era confortável para o meu ego. Nos primeiros anos, tive de aprender não só as disciplinas de Yoga, mas também a mais rigorosa disciplina de viver em uma comunidade espiritual. Duas coisas me ajudaram a seguir adiante. A primeira foi o amor pelo meu professor. A segunda foi a decisão, levada como o voto, de que eu não desistiria. Esta simples decisão de ficar tornou-se a base de todo o progresso que fi z na minha vida espiritual.

Oito anos se passaram e meu professor, alguns meses antes de morrer, iniciou-me como sannyasin (o voto indiano de monge), junto com um grupo de discípulos. Ser uma swami, uma sannyasin em uma ordem indiana, tradicionalmente requer um voto permanente, não é como os votos de monges budistas, que podem durar por um período limitado. Era algo grande para os olhos do mundo, mas para mim era uma extensão do comprometimento com o meu professor.

Fiquei por mais 20 anos. Nesse período, aconteceram situações que me levaram a sair, mas também me ensinaram um desapego radical. Houve sacrifício, mas também muitas oportunidades para aprender, servir aos outros, muita alegria.

Mas, no fim dos anos 90, algo mudou para mim. Comecei a sentir que seria mais útil fora do ashram do que dentro. E pensava: como saber que é a hora de terminar um compromisso que se assume por metade da vida?

 

Por que Comprometer-se?

O compromisso tem dois lados distintos: ele é prérequisito para a profundidade. Sem compromisso, a vida é um vale-tudo, relacionamentos são apenas encontros casuais e a prática é meramente superficial. Você nunca terá a mesma intimidade em um relacionamento de três meses que consegue em um casamento de dez anos. Não há como um retiro de Yoga e pranayama de uma semana dar o tipo de poder e abertura contínua que você ganha em sua prática diária. Você não consegue escrever um livro, criar uma criança ou aprender uma língua sem estar comprometido de coração. Nossa capacidade de compromisso nos possibilita o progresso.

Mas não podemos falar sobre compromisso sem reconhecer o seu inegável lado sombrio: como ele pode mantê-lo estagnado, pode tornar-se uma zona de conforto que o impede de fazer mudanças necessárias e como pode tornar-se uma desculpa para não fazer o trabalho de se desenvolver internamente. Não há dúvida de que certos compromissos, por exemplo, com uma criança, são inegociáveis. Mas muitos, especialmente nas áreas de carreira, relacionamentos e práticas espirituais, não.

Quando a vida perde o compromisso, pode tornar-se uma devoradora, um buraco negro que engole alegria, amor, criatividade. Estabilidade vira estagnação. Quando o objetivo que você perseguiu por anos parece bobo, quando o seu casamento parece preso a padrões indesejáveis, quando o coração parece morto, o primeiro passo é se fazer algumas perguntas sérias, como “Será que estou evitando o trabalho necessário para atingir o próximo passo?”

Não há fórmulas para responder a perguntas assim, porque aqui é preciso conhecer-se, conhecer o seu coração e equilibrar suas necessidades com as necessidades dos outros.

Mas eu vim a reconhecer certos sinais de que o instinto de terminar um compromisso precisa ser honrado. Pode ser simplesmente a sensação de que um relacionamento ou projeto já está morto. Tudo na vida tem ciclos de nascimento, crescimento, declínio e morte. Quando algo parece morto, isso precisa ser observado. Se não está, a sensação de morte começa a se espalhar por outros aspectos da sua vida. Se está pronto para explorar e ouvir a mensagem disso, começará a descobrir o que está por trás disso, e o que precisa fazer.

Talvez você tenha desejos profundos que não estão sendo realizados. Talvez você veja que a situação em que está alimenta seus medos ou limite os seus talentos. Talvez você esteja vivendo o que é conhecido como um chamado do que o poeta Rumi denominou como “o poder do que você realmente ama”. Leva tempo para reconhecer isso, então geralmente recomendo sentar-se com a situação o tempo suficiente para trazer o nível emocional, o nível do coração do seu ser, junto com o nível mental, prático e analítico.

Sabendo Quando Abrir Mão

Eu me peguei pensando em tudo isso quando ouvi minha amiga Laura se questionando se deveria terminar o casamento. Ela e o marido, Todd, são artistas, e ele foi o maior professor e crítico de Laura. Eles têm dois filhos, uma casa em Nova York e uma prática séria de Yoga e meditação. Então, quando Laura percebeu que estava se sentindo em uma armadilha no casamento, sua primeira reação foi voltar a se comprometer consigo mesma.

Foi ao terapeuta e fez o que pôde para se distanciar desses pensamentos, mas a sensação de que o casamento ia mal não passava.

Ela explorou esse sentimento na análise e ganhou consciência de um chamado que parecia demandar uma mudança na maneira como estava vivendo. E pediu a separação a Todd. Ele prometeu que faria tudo que pudesse para manter o casamento. Não só pelas crianças, mas porque amava e dependia de Laura.

Eles iniciaram sessões de terapia para casais, e nelas Laura revelou que por anos viveu sob o medo das críticas de Todd. Todd oscilava entre estágios de raiva e julgamento, e concordou em observar e mudar seu comportamento. Laura concordou em manter em suspenso a decisão do divórcio.

Alguns meses depois, os dois atingiram um nível de honestidade e intimidade que nunca tiveram. Todd começou a tratar Laura com igualdade e entrou em seu próprio processo de auto-observação.

Mas Laura estava novamente sentindo-se morta por dentro, e cada vez mais certa de que seu crescimento espiritual demandava um tipo de autonomia que ela não encontraria no casamento.

Minha reação à decisão de Laura foi bem parecida com a de Todd. Por quê? Mas eu também tinha feito algo parecido – escolhi sair de uma estrutura tradicional quando ficou claro para mim que não fazer isso traria estagnação ao meu crescimento espiritual.

Onda de Mudança

Há 60 anos, muitos poucos de nós consideravam que o crescimento espiritual era uma razão válida para abandonar um casamento ou um emprego.

Nossos tempos oferecem oportunidades sem igual para mudar nossos níveis de consciência. Há uma nova e inegável revolução espiritual acontecendo na nossa sociedade pós-industrial.

O que acontece com nosso comprometimento quando tudo ao redor está mudando? O que significa assumir compromissos de forma realista e, acima de tudo, mantê-los? Como navegamos com integridade no buraco entre o que as tradições culturais nos dizem o que fazer e a realidade do que a nossa jornada interior pede? E como saber quando nosso desejo de mudança vem da alma ou é apenas escapismo?

Essas questões exigem uma autopesquisa profunda, em que observamos com honestidade nossos desejos e motivações. Para esclarecer nossas razões, devemos não apenas reconhecer nossos egos escondidos e desejos básicos, mas também descobrir onde nossos compromissos inegociáveis ficam. Frequentemente, não ficam onde achamos que estão. Na minha própria busca pela integridade no comprometimento, continuamente fiquei de frente com dois fatos simples mas difíceis de notar. Primeiro, não conseguimos nos comprometer com nada se não sabemos onde nossos verdadeiros valores estão. Segundo, uma vez que nos encontramos no caminho espiritual, um caminho de transformação yoguica, temos de aceitar que nenhum de nossos compromissos interpessoais ou intrapessoais se sentirá exatamente adequado até que ganhemos claridade sobre nossos metacompromissos.

O Que é um Metacompromisso?

É um voto que você faz com sua própria alma, com aquela parte do seu ser que fica sob a sua personalidade, e que se conecta com o eterno. A alma é a sua essência. Nas tradições indianas, a alma é chamada de jivatman – o eu individual ou centelha de consciência. Se um compromisso é verdadeiramente um pacto de alma, você descobrirá que ele pode sobreviver a qualquer tipo de caos e permanecer no lugar até quando seus compromissos externos se dissolvem à sua volta. Estes aqui são alguns exemplos de metacompromissos:

• Amar em todas as circunstâncias

• Ser útil

• Fazer com que transformação e crescimento sejam sua prioridade

• Descobrir o que é real

• Fazer comunidade

• Fazer beleza

• Ter compaixão

• Ajudar a fazer um mundo melhor

• Ser o melhor que puder

• Promover justiça

Você verá imediatamente que metacompromissos são relacionados a valores, princípios e intenções. Como uma intenção, um metacompromisso precisa, em algum ponto, ser estabelecido formalmente. Mas um compromisso vai um passo além de uma intenção porque é mais próximo de um voto pessoal.

Um metacompromisso permanece independentemente de como as pessoas e situações vão e vêm na sua vida, porque ele é a chave de sua integridade pessoal. Conhecer e manter seus metacompromissos é o que faz você verdadeiro para consigo mesmo e para com os outros. Seus relacionamentos, trabalho e compromissos diários mudam. Mas metacompromissos não, mesmo que a expressão deles possa sofrer metamorfoses na sua vida. No fim das contas, seus metacompromissos definem você.

Aqui é importante entender que um metacompromisso não é o mesmo que uma tendência inconsciente. Nossas tendências inconscientes vêm de nossas fraquezas pessoais, de padrões limitadores que se alojam no nosso corpo sutil. Nossos metacompromissos, por sua vez, são expressões de nossas aspirações mais elevadas, de nosso senso de alma mais profundo. Elas vêm do que às vezes chamamos de “eu autêntico”. O eu autêntico inclui o ego, mas também contém a capacidade de observar e transcender o ego. Quando você está no seu eu autêntico, pode reconhecer, honrar e trabalhar com seu temperamento, suas habilidades, dons e traumas únicos. Você tem a clareza para reconhecer e agir do alto dos seus mais elevados valores – ainda que sem negar as tendências e preferências que ajudam a criar a sua perspectiva particular, o seu jeito único de ser e estar no mundo.

Laura, por exemplo, tem uma tendência inconsciente de escapar de restrições. Mas quando começou a observar seus metacompromissos, percebeu que estes, os pilares de sua integridade pessoal, eram honestidade e amor. Sua honestidade demandava que ela reconhecesse que não seguir o caminho à mostra cortaria sua força vital. Seu amor demandava que ela seguisse o processo de maneira que minimizasse a dor na família.

Quando você conhece os seus metacompromissos, tem critérios para equilibrar decisões de vida maiores e menores. Você está comprometido com uma vida de expressão criativa? Se sim, não deveria pensar em se certificar como professor de um sistema de Yoga rígido (ainda que estudar/praticar esse sistema possa ser valioso, especialmente se o ajuda a disciplinar os aspectos mais selvagens da sua criatividade). Seu compromisso está em aventura, vitalidade? Então provavelmente você não será feliz com alguém cujo metacompromisso seja uma vida calma e quieta. Você quer um crescimento espiritual? Então provavelmente necessitará se comprometer com uma disciplina diária que o ajudará a construir a profundidade na sua prática.

Um metacompromisso torna-se vital por manter um curso estável em direção à sua integridade pessoal. À medida que você cresce e muda, pode descobrir que a maneira como expressa o compromisso se transformará.

Por exemplo, o compromisso para uma prática regular pode começar com a decisão de fazer aula três vezes por semana ou de meditar por 20 minutos todo dia. Se você entender que o compromisso é com a prática em si e não com o tempo que dedica a ela, pode ser flexível com os horários sem abrir mão de sua regularidade. É o mesmo com outras partes da sua vida.

Se seu compromisso é com gentileza e compaixão, então mesmo quando termina com seu namorado, pode fazer isso sem feri-lo a ponto de não conseguir manter uma amizade. Quanto mais você conhece seus metacompromissos, mais fácil fica negociar com as mudanças externas. Eles o ajudam a ficar estável mesmo quando as circunstâncias estão correndo para lados inesperados ou indesejados.

Quando encarei a questão de sair ou não da organização em que estava, consegui confiar na minha própria decisão de sair só depois que esclareci para mim os meus compromissos. Conheci meu metacompromisso essencial, que era descobrir o Real. O segundo era servir, o que ia além de servir àquela organização. Porque eu sabia dos meus metacompromissos, consegui me mover pela decisão muito difícil de deixar a organização, segura de que estava sendo verdadeira para com meu voto mais profundo.

Quando Laura e Todd esclareceram seus metacompromissos, perceberam que um compromisso essencial dos dois era o bem-estar de suas crianças. Igualmente forte era o compromisso de amar um ao outro, independentemente de qualquer relação formal. E assim perceberam que esses dois metacompromissos não seriam destruídos com o divórcio.

A única coisa certa na vida é a mudança. Um compromisso, para servir a seu propósito mais profundo, precisa estar forte para resistir às mudanças. Quando você conhece seus metacompromissos, quando consegue estabelecê-los e viver com eles, sua vida tem a integridade e a estabilidade que estão no coração do Yoga. Seu relacionamento pode se dissolver, seu trabalho pode mudar, seu caminho pode se transformar. Mas a profundidade que o compromisso traz nunca é perdida.

Decida Melhor Descobrindo Compromissos Essenciais

Quando você quiser descobrir seus próprios metacompromissos, precisará observar a si e a sua vida com distanciamento. Suposições como “Se eu amo uma pessoa, tenho de viver com ela” ou “pessoas espirituais não ligam para bens materiais e dinheiro” podem interferir na sua habilidade de descobrir o que é verdadeiro para você. O próximo passo é ser honesto consigo em uma autopesquisa. Comece observando os compromissos que você assumiu na vida. Quantos deles foram assumidos de coração? Ou seja, quantos deles foram levados por valores da sua cultura ou por aquelas crenças não examinadas antes de começar este exercício?

Agora olhe honestamente para o que você valoriza neste ponto da vida. Para determinar seus reais valores, pergunte-se:

O que estou fazendo nos tempos em que fico realmente mais feliz?

Quais dos meus dons significam mais para mim? O que parece mais “eu”?

O que eu mais amo em mim?

O que os outros amam em mim?

Em que eu sou bom?

O que realmente importa a ponto de eu me sacrificar por isso? Amizade? Trabalho criativo? Paz interior? Gentileza? Criar mudança positiva? Ajudar pessoas? Saber a verdade?

Isso posto, quais são os três metacompromissos que posso assumir exatamente agora – compromissos que posso manter independentemente de onde e com quem eu esteja? Quais desses são apropriados para aprofundar minha relação com a vida?

Nesse processo, você descobrirá muito sobre si, sobre quem é e quais são os seus valores. Acima de tudo, você começará a ver o que significa para você viver com mais profundidade e autenticidade. Assumir compromissos e mantê-los é fundamental para se respeitar, para a nossa habilidade em repousar sobre nossa própria estabilidade. Ainda que os compromissos definam a sua vida, você quer estar certo de que os está assumindo do lugar mais profundo que pode se encontrar. Estes são os compromissos que você pode sustentar. Estes são os que você manterá.

Fonte: http://www.yogajournal.com.br/bem-estar/seja-mais-voce/3/